
No passado dia 12 pude assistir com interesse à conferência proferida pelo Arq. espanhol Eloy Algorri Garcia e apresentação da obra do mestre egípcio Hassan Fathy, no auditório da Ordem dos Arquitectos, designada A Sinfonia Esquecida “Arquitectura para os pobres” 40 anos depois.
Este importante livro, traduzido para diversas linguas, foi agora reeditado e é sem dúvida um documento de leitura fundamental, quase obrigatória para quem se interessa pelas técnicas de construção com terra.

Este importante livro, traduzido para diversas linguas, foi agora reeditado e é sem dúvida um documento de leitura fundamental, quase obrigatória para quem se interessa pelas técnicas de construção com terra.

Hassan Fathy nasceu em Alexandria em 1900 no seio de uma família abastada e ligada às artes e ciências. Licenciou-se em Engenharia e Arquitectura e mais tarde foi professor da Faculdade Belas Artes da Universidade do Cairo e Director do departamento de Arquitectura.
Foi um dos mais importantes arquitectos da sua geração e ao longo da sua vida construiu uma obra extensa que inclui palácios, moradias, teatros, escolas e edifícios públicos, planeamento e desenho de cidades e vilas.
Foi um dos mais importantes arquitectos da sua geração e ao longo da sua vida construiu uma obra extensa que inclui palácios, moradias, teatros, escolas e edifícios públicos, planeamento e desenho de cidades e vilas.
Com a publicação deste livro, em 1970, ("Construire avec le peuple" na versão original), Fathy ganhou notoriedade internacional e foi convidado para palestras por todo o Mundo e mais tarde seria agraciado com diversos prémios, incluindo o primeiro Aga Khan Award em 1981 e a medalha de ouro da UIA em 1884. Hassan Fathy faleceu na cidade do Cairo em 1989.
No livro, Fathy descreve em detalhe a sua experiência no planeamento e construção da cidade de Nova Gourna, utilizando tijolos de adobe, produzidos nas margens do Nilo e retomando tecnologias e elementos da tradição arquitectónica egípcia, como os pátios fechados e as coberturas em abóbada e cúpula sem utilização de cimbre.
Embora Nova Gourna tenha ficado incompleta, devido a burocracias e sabotagens, a obra de Hassan Fathy permanece com uma imagem de ética e intervenção social e a sua força reside no facto de entender a utilização do material terra nas suas formas e elementos especializados de técnica como um factor de dignidade humana.
"One man cannot build a house, but ten men can build ten houses very easily, even a hundred houses. We need a system that allows the traditional way of cooperation to work in our society. We must subject technology and science to the economy of the poor and penniless. We must add the aesthetic factor because the cheaper we build the more beauty we should add to respect man."
Hassan Fathy
Falaremos mais da obra deste mestre da Arquitectura com Terra em posts próximos.






























