terça-feira, 23 de março de 2010

Livro_Geometrias da Arquitectura de Terra


Geometrias da Arquitectura de Terra
A Sustentabilidade Geométrica das Construções em Terra Crua
de Filipe Duarte González
Edição/reimpressão: 2006
Editor: Universidade Lusíada Editora
Dimensões: 169 x 239 x 24 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 204

Sinopse
Numa sociedade em que as questões relacionadas com o desenvolvimento sustentável assumem um papel preponderante, assistisse ao repensar da organização e desenvolvimento do património edificado.
Soluções antigas parecem ser novas, sendo que as actuais se revelam obsoletas. A construção passa a ter que contemplar critérios de construção ecológica, modernidade e sustentabilidade.
Ora, para a Arquitectura o mesmo se passa, sendo a construção em terra crua um momento eficaz na inflexão da tendência poluente e agressiva que a era contemporânea constitui.
Os limites impostos na emissão de monóxido de carbono (CO) na atmosfera, e a tendência para o cumprimento do tratado de Quioto, levam a que a terra crua se reafirme no panorama construtivo da actualidade. A presente obra serve para se (re)iniciar o estudo da construção com um material que foi praticamente esquecido, ensinando não apenas a vertente da técnica operativa em si, mas sim, apontando também, no sentido da prática conceptual para o entendimento do projecto de arquitectura, recorrendo ao material "terra crua".
Velhas técnicas parecem novas, e as tradições constituem-se como novos desafios.
A construção em terra é um processo milenar, e a sua transmissão enquanto tal tem sido feita em gerações, de pais para filhos, e quase sempre de forma operativa.
A utilização da terra pautasse por uma qualidade que consiste na sua reciclabilidade. Esta característica assume especial importância quando se aborda cada vez mais a sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável. A reciclabilidade da terra como material construtivo, enquanto processo natural ou artificial, dificulta o seu estado uma vez que os testemunhos mais antigos não podem ser avaliados devido à sua perda total.
Pretende este trabalho criar uma ferramenta aglutinadora de processos construtivos, classificação da terra enquanto material de construção e por último, ferramenta analítica de geometrias utilizáveis na construção com estes material, atendendo às suas propriedades.
Trata-se de uma análise comparativa dos processos construtivos em terra crus, suas geometrias e estereotomias, dentro do conceito de obra global, analisando-a no todo e na parte. Este trabalho redefine o processo de classificação das técnicas construtivas em terra crua em função dos processos auxiliares de construção, e não pelo estado físico do material utilizado ou mesmo pela família de sistema construtivo.

Geometrias da Arquitectura de Terra de Filipe Duarte González

segunda-feira, 22 de março de 2010

Nova Sede CdT_Cova do Gato_Santiago do Cacém


No início deste ano a associação Centro da Terra anunciou a todos os sócios e amigos que acompanham, estudam e divulgam a construção com terra crua, a criação de um protocolo com a Câmara Municipal de Santiago do Cacém para a instalação da sede do CdT na Escola Primária do lugar da Cova do Gato, em Abela, actualmente desactivada.

A associação vê assim cumprido um objectivo fundamental e inicia um novo ciclo para o futuro, com a reestruturação do site na internet e com o novo espaço, permitindo desenvolver maior número de acções e encontros /conferências / exposições / oficinas de formação / criação de centro de estudos e grupos de investigação / arquivo documental, entre outras actividades.

Para todos os amigos e interessados aqui fica a localização da nova sede da Associação Centro da Terra e o convite para contactarem com o CdT e participarem!
Escola Primária da Cova do Gato, Abela, 7540 Santiago do Cacém

Posição GPS:
Latitude 38° 0'25.65"N Longitude 8°31'6.81"W

domingo, 21 de março de 2010

Grande Muralha da China_Taipa


Forte de Jiayuguan, Gansu, China


Uma secção de muralha em taipa no extremo oeste da Grande Muralha, Jiayuguan, Gansu, China,
Autor das fotografias: User:Doron
Julho 2000

segunda-feira, 15 de março de 2010

Arquitectura Musgum_Camarões

Mostramos aqui uma interessante reportagem da designboom sobre as Arquitecturasdeterra da tribo Musgum, a principal étnia do Norte dos Camarões.

"designboom has dedicated a large amount of time to learn more about clay - one of the earliest natural building materials in history of men. our intent is to promote earth also as a building material of the future.it represents an excellent alternative to cement whose manufacture releases considerable quantities of CO2.individual housing units and small apartment buildings can easily be built from earth in every part of the world. however, concrete remains an essential material for high-rise construction. the research effort should betherefore two-pronged: tailoring earth to the needs of modern construction and making concrete 'greener'.in this first article of a series, which we will publish in the upcoming weeks, we'll examine a few ancient building techniques.the musgum, an ethnic group in far north province in cameroon, created their homes from compressedsun-dried mud. the tall conical dwellings, in the shape of a shell (artillery), featured geometric raised patterns.


musgum clay houses in cameroon
what strikes at first sight is their almost organic simplicity, a second reading reveals the functions behind the forms. the walls of the houses are thicker at the base than at the summit, which increases the stability of the building.


detail


a characteristic settlement form is the compound, a cluster of units linked by walls

the domed huts of the musgum people are built in shaped mud, a variant of cob. cob building is the most widely used technique in the world, since no tools are needed - hands, earth and water are enough.


the name of these houses ('cases obos') comes from their similarity with the profile of shells. it is very close to the catenary arch, the ideal mathematical form to bear a maximum weight with minimal material. this profile also reduces the pressure effect of the impact of water drops on the walls. furthermore, the extraordinary height (up to 9 meters) of these houses provides a comfort climate during hot days. the top of the house is pierced with a circular opening, allowing the air to circulate, resulting in the sensation of freshness.today, these buildings have become somewhat obsolete, with only a few groups still practicing this 'cases obos' type of construction.


it is customary to lay the mud spirally in lifts of approximately half a metre, allowing each lift to dry before adding the next.


drawing of a musgum dwelling


cross section of a musgum dwelling


maintenance of a musgum
the decorative surface allows for further refinement and individualization.the veins are also contributing to the drainage of rain. the musgum houses require regular maintenance of the coating and the veins allow people to climb atop the building.
The construction technique of musgum clay houses is currently also mentioned in theexhibition 'ma terre premiere pour construire demain'. it explores how and why we should build with earth.on show at the cité des science et de l'industrie, paris until june 10th, 2010."
Autoria: andrea db 02.18.10
Fonte da notícia: aqui

terça-feira, 9 de março de 2010

Experts Report_Sardenha_Itália



Divulgamos aqui o Relatório Final do "Expert Workshop on the Study and Conservation of Earthen Architecture and its contribution to sustainable development in the Mediterranean Region", publicado por Maddalena Achenza, Claudia Cancino, Mariana Correia, Amila Ferron and Hubert Guillaud.

O relatório deste workshop especializado que teve lugar em Villanovaforru, na Sardenha, Itália, a 17-18 de Março de 2009, sobre o estudo e conservação da Arquitectura de Terra, está disponível no site do GCI.
Falaremos mais sobre as propostas e conclusões expressas no relatório em próximos posts.

sábado, 6 de março de 2010

Project Research.Terra

Divulgamos aqui um projecto recente na web, uma excelente ideia promovida pela colega e amiga Célia Macedo, em parceria com o Dr. Paul Jaquin.

Trata-se de um website que pretende ser uma ferramenta para que a comunidade de investigadores e/ou interessados na temática da construção em terra possam estar a par do trabalho que foi, e está a ser, desenvolvido neste âmbito. O objectivo é criar uma base de dados, que será actualizada com regularidade, onde constarão os títulos das investigações levadas a cabo, a ligação para o trabalho (caso esteja acessível online), assim como outros dados básicos sobre o autor e a investigação.
Caso conheçam alguém interessado em acrescentar o seu trabalho e nome a esta lista, agradecemos que divulguem esta informação e acedam ao website
Research.Terra onde encontram todas as instruções e procedimentos de participação.

Mais uma excelente forma de aproximar informação, investigadores e interessados e em conjunto divulgar a construção com terra! Os nossos parabéns pela iniciativa!

terça-feira, 2 de março de 2010

Workshop_Colouring Earths_Italy


WORKSHOP - COLOURING EARTHS
Origin, composition and use to decorating architectural surfaces
Lugano, 17.06.2010 Verona, 18.06.2010

I Call
Programme

Thursday 17.06.2010 (afternoon) at SUPSI Lugano (Switzerland)

Dr. Christian Paglia, Head of the Institute of Materials and Construction, DACD-SUPSI (Switzerland)

Introduction

Prof. Manoj K. Pandit, Dept. of Geology Rajasthan University, Jaipur (India)
Colouring earths in Rajasthan, NW India

Dr. Roberto Zorzin, Civic Museum of Natural History, Verona (Italy)
Colouring earths in Verona, Italy

Dr. Giovanni Cavallo – Institute of Materials and Construction, DACD-SUPSI (Switzerland) Arch. Marco Zerbinatti – DISET Polytechnique of Turin (Italy) Colouring earths and architectural surfaces

Friday 18.06.2010 (afternoon) Verona (Italy)
Field excursion to an ancient exploitation site of yellow earth near Verona (Italy)
Visit at Dolci’s paint factory in Verona (Italy)

The participation fee for each day is 50 Euros, free for students and young researchers; participants are required to bear their own lodging and travel expenses.

Please return filled form (annexed) showing your interest latest by 31.03.2010
The II call will be sent to all interested participants by 30.04.2010
Contact person: Dr. Giovanni Cavallo giovanni.cavallo@supsi.ch

segunda-feira, 1 de março de 2010

Manifesto_Habitar a Terra

Manifesto Habiter la Terre/Habitar a Terra
"As revistas EcologiK e Architectures à vivre associam-se ao CRATerre, Escola Nacional Superior de Arquitectura de Grenoble e à "Cadeira UNESCO Arquitectura de terra" para lançar um apelo à solidariedade na defesa do direito a construir com terra crua.
O uso deste material concilia de facto o cultural com o social, o ecológico e a economia, pilares do desenvolvimento sustentável. Este manifesto reivindica o valor universal das Arquitecturas de terra simultaneamente enquanto Património Mundial e enquanto solução contemporânea incontornável para um futuro ecoresponsável.
Há onze milénios que a Humanidade demonstra uma assombrosa capacidade de construir com terra crua, de simples habitações a palácios e cidades inteiras. Nos dias de hoje, em contextos e territórios muito variados, este material de construção continua a ser o mais utilizado, dado que um terço da população mundial vive em casa de taipa, de tijolos de adobe, de tabique ou de blocos de terra comprimida. Modestas ou monumentais, estas Arquitecturas estão presentes em 190 países e testemunham uma qualidade de vida quotidiana e inovações técnicas que aliam estreitamente saber-fazer e audácia, arte e virtuosismo. Enquanto por um lado estas construções são regularmente descobertas ou redescobertas pelos profissionais e pelo grande público, por outro alguns recusam-nas, destroem-nas e interditam-nas em nome de novas normas de construção de habitação de hoje e de futuro. Existem contudo múltiplas realizações arquitectónicas contemporâneas de terra, geralmente construídas de forma solidária, que são exemplares, inovadoras e belas. Embora elas respondam integralmente ao que desejamos para nós e para as gerações futuras, são frequentemente negligenciadas, desvalorizadas e ignoradas.Afirmamos portanto que, face aos desafios cruciais ligados à preservação do ambiente natural, à diversidade cultural e à luta contra a pobreza, a utilização do material terra é incontornável e insubstituível. Nós reivindicamos o direito de construir em terra porque cada ser humano tem direito a uma habitação à medida das suas necessidades e dos seus recursos. O habitat e o urbanismo de amanhã devem responder duradouramente a esta aspiração.
Construir em terra é repensar simultaneamente à escala global e local o emprego dos recursos do nosso planeta, associando terra, água e sol num verdadeiro desafio tecnológico, cultural, social, económico e ambiental.Construir em terra é defender o direito de colocar em obra um material de construção natural e ecológico, abundante, facilmente disponível e acessível ao maior número, afim de permitir aos mais desfavorecidos a construção da sua habitação "com o que têm debaixo dos pés".
Construir em terra é promover os recursos locais, simultaneamente humanos e naturais, melhorar as condições de vida, valorizar a diversidade cultural e contribuir para manter os sistemas de entre-ajuda social na construção e na manutenção do construído.
Construir em terra é empregar um "betão natural" que oferece uma verdadeira alternativa ecológica e económica face aos materiais e processos de produção nocivos ao ambiente.
Construir em terra é revalorizar, adaptar e transformar mais de 11 000 anos de conhecimento e de "saber fazer" e associar um material secular a uma arquitectura inovadora.
Construir em terra é reconhecer o valor cultural das edificações vernáculas, opor-se à sua destruição e encorajar a reabilitação dessas construções respeitando os seus materiais e a sua expressão arquitectónica.
Construir em terra é prosseguir o desenvolvimento da arte de construir e da sua materialização num complexo conjunto unindo arquitectura, estética e decoração.
Construir em terra é desenvolver a inovação para optimizar o material, simplificar a colocação em obra e produzir novas arquitecturas.
O objectivo deste manifesto em favor da construção de terra é o de:
• Desbloquear os problemas devidos a regulamentações e a normas totalmente inadaptadas a este material e aos seus usos;
• Favorecer a formação de profissionais para a construção contemporânea afim de melhorar a qualidade da habitação;
• Ensinar a Arquitectura de terra como uma disciplina de parte inteira, em particular nas escolas de Arquitectura, de Engenharia e de componente humanística.
Ao lançar "Habitar a terra": manifesto para o direito à construção em terra crua", nós tomamos partido pela inovação, com o objectivo de assumir o desafio maior que é o de uma Arquitectura sustentável tanto nos países do Sul como nos do Norte. "

Conferência_Lisboa_Arq Terra_Henrique Schreck

Recebemos ontem uma boa notícia que merece todo o destaque e divulgação!
Vai decorrer no próximo dia 4 de Março de 2010 (5ªfeira) pelas 21h 30m, na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, uma conferência sobre Arquitectura de Terra - Taipa, apresentada pelo arquitecto Henrique Schreck.
Aqui fica o texto de divulgação da conferência:
"Hoje em dia julgamos poder dominar estes elementos (temperatura, humidade, som) com quaisquer materiais industriais à disposição no mercado, independentemente do local onde se apliquem. Verificamos frequentemente não só a ineficácia do que é produzido em fábrica, comparativamente com materiais simples e naturais, mas também um dispêndio de energia muitas vezes evitáveis.Construir em terra é um processo ecológico, na sua construção (utilização do material que existe no local), na sua duração (economia de consumo energético), e na sua reutilização – a terra que se usa para construir, após a sua destruição volta para o local de origem sem impactos ambientais."
Moradia Unifamiliar, Litoral Alentejano, Henrique Schreck