quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Arquitectura Contemporânea na Costa Alentejana

Aqui fica uma boa prenda de Natal! Um texto de reflexão sábia, apaixonada e obrigatório, do Arqt.º Alexandre Bastos
Boas Festas!!


"Dedico estas curtas páginas a Manuel Maria Mansos - o Taipeiro que me ensinou a sentir a terra em 1993, a batê-la, a molhá-la, a escolhê-la e a marcar o ritmo, a tornar-me mais culto pela sua sabedoria de vida

A Arquitectura Contemporânea na Costa Alentejana
Sempre alimentámos o nosso imaginário com utopias, com a terra servindo de matéria para a implantação das diversas culturas, sejam elas da simples subsistência à rendibilidade a longo prazo, desde a floresta, às culturas arvenses, do jardim à horta, serve e sempre serviu também de abrigo, da construção de terra ou mesmo da Arquitectura.
Descodificando por momentos a nossa memória, construir quase tudo com quase nada ao custo zero do material, não deixa de entusiasmar, de tal maneira é utópico. Ao contrário de outrora, hoje constrói-se em terra por opção e não por necessidade. Esta diferença marca o sentido da utopia. Infelizmente temos construções medíocres com ar eterno e feliz. Por vezes mesmo com um ar vitorioso esmagando a delicadeza do ambiente, ou das construções adjacentes. Ao planear a obra de taipa tenta-se indiscutivelmente evitar erros que podem sair bem caros e simultaneamente ela é sob o ponto de vista construtivo limitada, quer na altura, quer nas grandes fenestrações, caso não seja bem ponderada. Impõe-nos também uma melhor inserção no terreno por questões económicas e até de coerência perante o respeito cultural.
Cabe aqui citar Ernesto Veiga de Oliveira, Benjamim Pereira e Fernando Galhano,”…e até por razões climáticas e económicas, e poderiam constituir ensinamentos estética e funcionalmente utilizáveis, na elaboração de uma arquitectura local racional, na vanguarda de todas as experiencias- isto é: mais actualizada. Em vez disso, porém, vemo-las tantas vezes sistematicamente recusadas como formas desprezíveis, em nome de um tipo de construção de péssima qualidade e de uma hedionda vulgaridade, em que o “modernismo” está apenas na utilização indiscriminada e errada do cimento e do concreto, por gente menos esclarecida que, nessa recusa dos valores antigos, julga afirmar a sua superioridade que é apenas ignorância.”Edição de 1969.

A Arquitectura de terra e a terra na Arquitectura tem a sua expansão sobretudo a partir dos anos 90, no Litoral Alentejano. Enfim não tão litoral quanto isso, pois será mais correcto dizer a 10 ou 15 km da linha de costa marítima para o interior. Tem uma razão de ser. Junto ao Litoral, (tanto no concelho de Odemira como em Santiago, Sines) o solo não é muito propício. É constituído por areias, sem xisto nem argila. Claro está que existem excepções, mas esta é a regra. Se verificarmos as pré-existências, veremos que estas estão mais destruídas no Litoral e menos a 10/15km da costa. Por vezes mesmo usando taipa de areia, muitas das coberturas originais eram de estrume, bocados de cortiça, estormo, caniço, ou seja muito leves. A parede de taipa de areia trabalha muito mal à torção e tracção e resiste menos às chuvas, o seu índice de plasticidade é fraco. A altura é limitada por razões óbvias. Os gigantes são frequentes. Os vãos reduzidos.
Recomeça a Taipa sensivelmente com algumas experiências aqui e ali sem grande significado por volta de 87/88.(depois de um interregno a partir da década de 50) Marco decisivo foi o ano de 1993 no Litoral Alentejano, por várias razões: primeiro, porque se concretizou uma obra de taipa, actual ao tempo (projecto de 1992 e obra 1993), dum atelier de pintura, que veio a ser exposta na “7ª Conferência Internacional sobre o estudo e conservação da Arquitectura de terra”, que se realizou em Portugal, na cidade de Silves.
Segundo factor, foi a publicação de um artigo do historiador Dr. António Quaresma sobre esta obra, no jornal “Noticias de Odemira”, (nº 31 de Dezembro de 1993), que como é óbvio teve leitores. Este artigo tinha por base recordar a memória do tempo, lançar um desafio, sensibilizar o anónimo, os técnicos e os próprios políticos.

De seguida, outro artigo é publicado no mesmo jornal, (nº32 de Janeiro/Fevereiro de 1994), que vem explicar tudo acerca da técnica, dos tempos e dos custos e também publicado no Bulletin de Information 1995, no 16-17, Projet Gaia. Simultaneamente esteve patente na Fundação Calouste Gulbenkian a exposição “Arquitecturas de Terra” – o futuro de uma tradição milenar – Europa, Américas e Terceiro Mundo”, concebida pelo Arqt.º Jean Dethier para o Centro Georges Pompidou.
De facto faz-se taipa para o mercado de habitação, que funciona normalmente, seja ela a primeira ou a segunda habitação sendo este tipo de construção pioneiro. É no atraso de Portugal diria, (quase tão perversamente no conceito abstracto e concreto na sua expressão, como Yourcenar) que está a sua grande modernidade.
“ De todas as modificações causadas pelo tempo, nenhuma afecta tanto as estátuas como a alteração do gosto daqueles que as admiram” - Marguerite Yourcenar.
Até mesmo na sua expressividade, seja interior ou exterior como por exemplo: a taipa fica à vista ao invés de ser rebocada, no interior irá impor-se um vector de força no seio de todas as paredes brancas…etc. A Taipa, dá-nos uma possibilidade criativa, tanto como na pintura… O pintor Eduard Hoper oferece-nos essa liberdade de pensar para além das figuras expostas. Que se passa? Será que eles?…,…de que estarão eles a falar?… e a casa? Isto será ruína ou uma ampliação?…Ou será que ainda está em construção?…Será que posso fazer a minha casa apenas com terra.?..Esta utopia alimenta o Homem e é irrelevante quanto à nacionalidade. O belo texto de Léon Krier L’amour des ruines ou les ruines de l’amour, fez-me lembrar o arquitecto perante o destroço , a pré-existência… penso, salvo isto ou não, ponho-a em evidência ou integro-a como se nada fosse…sonho.
E é isso que interessa na Obra, para o arranque do estímulo do projecto e também da vidara intensidade do percurso artístico e os vectores da criação é que podem ser explicados. E serão sempre diferentes em cada arquitecto.
A taipa ajuda a pôr a nossa imaginação em funcionamento - vou fazer um buraco aqui agora, ou depois de construída, - vou fazer um baixo-relevo, ou vou usar pigmentos coloridos pela ordem que entender, junto tijolo á vista e reboco ou não, ponho-a lisa ou texturada, posso também caiá-la sem mais. etc. Também posso diminuir ou aumentar a espessura, criar mais inércia numa determinada orientação solar. Porque não? Basta-me aumentar o frontal.

É a manufactura, o artesanato, mobilidade e a liberdade de criar, basta encontrar empatia com o cliente e os operários que aliás só têm a ganhar com o vocabulário. Estamos a usar a técnica ( com toda a possibilidade de introduzir materiais actualíssimos, ferro, betão, madeira e por aí fora) para dar valor ao sentido artístico e estético da obra - a Arquitectura!
Nunca os arquitectos pensaram tanto na construção e na destruição. Ora a tradição indica-nos e ensina-nos que as casas nascem, vivem e morrem ou falecem. Esta utopia da construção permanente, ser efémera (ou poder ser), ou ser eterna, modifica o conceito de construção e sobretudo de arquitectura. Significa outra utopia, a liberdade plena, a grande mobilidade na taipa, de a modificar para as gerações vindouras, e com um material eterno, fazer o efémero, e ainda outra utopia, aproveitar a mesma matéria fazendo-a renascer.
Digamos que a terra, a casa, a arquitectura acompanham as gerações, neste caso até, o mesmo pedaço-matéria-terra. (quase verdade não fosse a legislação do PROT e Parque Natural cercear essa liberdade, duma forma usurária, quanto aos limites de construção, não contemplando minimamente o que é uma área digna e razoável de habitabilidade).
O que se passa neste momento no litoral alentejano e na nossa contemporaneidade é um movimento de arquitectura que não se baseia apenas em aspectos formais e na expressividade, transcende-os, nasce na ruralidade nos finais do séc. XX, princípios do séc. XXI, mas vem das cidades, das culturas ditas eruditas, ou mais esclarecidas, que vão preservar a memória do tempo, do anónimo, dos diferentes extractos socioeconómicos, etc., que preservam o ambiente, que são preocupadas, pouco consumistas, enfim, um movimento cívico, consciente a que me é indiferente se é por moda ou não.
De qualquer modo contribui para o mesmo fim. Sem materiais estranhos à natureza preserva o ambiente. Não gasta energia inutilmente, não se impõe, mas absorve a cultura local, respeita e muito lentamente cresce, quase sempre silenciosamente.
É em suma, por tudo isto, uma arquitectura contra-corrente, Contemporânea de certeza, - a terra – feminina, cheia de inovação e perfume.”

Arqt.º Alexandre Ereira Bastos

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

TERRATECTURA 2011


Seminario- Taller de Arquitectura y construcción en Tierra, a realizarse del 18 al 20 de Mayo de 2011 en Bogotá, Colombia
Organiza: Asociación Colombiana de Facultades de Arquitectura (ACFA) y Pontificia Universidad Javeriana- Bogotá
Objectivos:
Principal
Difundir y capacitar a los participantes con una visión eco-sostenible,sobre las posibilidades que brinda la construcción en tierra, exaltando la importancia de transferir saberes y tecnología.

Específicos
Exponer los avances en investigación y construcción de la tierra como material de construcción en el mundo y en Colombia.
Identificar los diferentes sistemas constructivos empleados en las edificaciones en tierra y sus características estructurales.
Conocer las propiedades físico- mecánicas de la tierra como elemento estructural y su comportamiento ante eventos sísmicos.
Comprender y facilitar experiencias sobre transferencia tecnológica con tierra como recurso material que aporta a un ambiente integral.
Temáticas:
1. Arquitectura Moderna: Nuevos proyectos y sustentabilidad
2. Patrimonio y restauración: Investigación e intervención
3. Transferencia Tecnológica: Educación, formación y capacitación
4. Ecosostenibilidad: Proyectos sustentables y sostenibles




Recibo de ponencias hasta el 25 de Enero de 2011 en terratectura2011@gmail.com

domingo, 5 de dezembro de 2010

NATAL2010@ArquitecturasdeTerra


NATAL no ArquitecturasdeTerra
Este ano uma vez mais, o Mister Winter chegou com muito frio e chuva para dar e vender pelos nossos lados!

Lá em casa já iniciámos as "fraternidades" com as decorações "natalinas" e temos notícias por Maria Edineuza de "barrigão" e seu José do Bonfim de que em Belém do Pará as palhinhas já estão aquecidas e está tudo gostoso e confortável (pq as paredes são em taipa!) para receber o "minino Jésuis"!
A mirra, o oiro e o incenso foram este ano encomendados pela internet (www.reismagos.com) e já vão a caminho!
A equipa do ArquitecturasdeTerra deseja a todos os amigos e familiares um Feliz Natal e um Ano Novo de 2011 sem crises...pleno de saúde, paz e alegria!

Arq_Terra_Casa Sanitas_Colorado_USA




Projectada pelo Pyatt Studio, a "Casa Sanitas", em fase de construção, apresenta-se como a primeira habitação a ser construída em "insulated rammed earth" na cidade de Boulder, Colorado, USA.
Fonte das imagens : http://www.pyattstudio.com/

Earth Architecture | Mud, Stone & Shale Conference_2011

THE UNIVERSITY OF HADRAMUT FOR SCIENCE & TECHNOLOGY MUKALLA & DA‘WAN MUD BRICK ARCHITECTURE FOUNDATION
Are pleased to announce the Second Conference on Mud Brick Architecture to be held in Hadramut in 2011 under the title: Earth Architecture Mud, Stone & ShaleThe conference will provide a platform to discuss and exchange information amongst international architects, academics, participants and foundations on the condition of past and future cities with innovative and creative projects in construction and design including a wide spectrum from Chile to India.
This intends to create an important link and exchange between North and South, east and west, where the technology architectural language and environment of earth architecture requires to be more seriously and effectively implemented.
The fact that it is being held in the heart of the kingdom of mud brick architecture, Valley of Hadramut, serves a significant case in point.
Venue: Say’un, Wadi Hadramut Republic of Yemen
Dates: 28 February – 4 March 2011
Official Language English & Arabic for presentation - (Papers in French will be accepted for publication in the Conference proceedings).
Conference Themes:
1. Architectural Rehabilitation and Development
2. Modern & Contemporary Buildings: Innovation, Construction and Design (Case Studies and Projects)
3. Yemeni Cities & Vernacular Architecture at Risk: Dilapidation, Destruction & Flood Damage
4. Future Use of Restored Residential Clusters & Heritage Landmarks
5. Environmental Issues: Sustainable Planning Methods & Guidelines
Attending international participants include leading specialists, academics and architects from India, Chile, Portugal, Italy, UK, Morocco, Algeria, Egypt and France.
Queries please contact Salma Samar Damluji at: salmasamar@damluji.org

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Filme_Dirt!



Este é um pertinente filme sobre a relação do homem com a terra.

Mostra-nos como a terra (seja fértil, para contrução ou o planeta) e os seres humanos não poderiam estar mais próximos. Somos feitos do mesmo material.

Biliões de anos de evolução fizeram da terra a fonte viva de toda a vida na Terra.

A terra dá-nos comida, casas, combustível, medicamentos, cerâmicas, flores, cosméticos - tudo o que é necessário para a nossa sobrevivência.

Estamos hoje, no entanto, a destruir o nosso último recurso natural com a agricultura intensiva, com a exploração excessiva de recursos fósseis, com o exagero cego de produzir mais e mais, sem olhar para o que produzimos e como o fazemos. Nas nossas cidades lutamos por uma árvore, por um pedaço de terra para cultivar couves e batatas, por um pouco de ar respirável.

Precisamos trilhar por outro caminho, por outro futuro, localmente, pensando de modo universal.

A terra continua debaixo dos nossos pés e tem uma resposta!!)

Curso ArquitecturasdeTerra_Nov2010_Agradecimento


©Rui Vieira

O ArquitecturasdeTerra quer agradecer a todos os que com entusiasmo e empenho participaram no curso ArquitecturasdeTerra, no passado mês de Novembro.

Aos formandos Célia Gonçalves, ao Filipe Azevedo, ao João Miquel, à Marina Félix, à Patrícia Pereira, ao Paulo Jacinto, ao Ricardo Encarnação, ao Rui Vieira, à Sara Dias e ao Tiago Gonçalves, o nosso sincero agradecimento por partilharem activamente connosco esta paixão pela terra!

O bom ambiente entre todos e os resultados dentro e fora do taipal estiveram à altura das nossas melhores expectativas!!)

Agradecemos também à Cooperativa de formação Arqcoop todo o apoio de organização e logística do curso, e vamos no futuro continuar a promover convosco a construção com terra em Portugal!

Aqui ficam também para os curiosos algumas fotografias tiradas durante a componente prática da formação:







segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Curso ArquitecturasdeTerra_Fotografias_Aulas Práticas


Sala de Formação Arqcoop



Ensaios de campo


Ensaios de campo

Blocos apiloados para ensaios

Taipa

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Curso ArquitecturasdeTerra_Novembro 2010



CURSO ARQUITECTURASdeTERRA *

O ArquitecturasdeTerra vai promover em parceria com a ARQCOOP e o apoio da associação CentrodaTerra um curso teórico-prático de Construção com Terra a ter lugar em Lisboa de 15 a 27 de Novembro!

Para todos os interessados aqui ficam os dados de informação relativos ao curso, aqui em formato PDF e aqui a respectiva ficha de inscrição:


DESTINATÁRIOS:
Estudantes, recém-licenciados e profissionais das áreas de Arquitectura, Engenharia Civil, Património, Arqueologia, Investigação e Tecnologias de Materiais, e todos os interessados pela temática da construção com terra crua que desejem adquirir formação específica, ampliando e aprofundando os seus conhecimentos nesta área.

OBJECTIVOS:
Domínio dos conceitos teóricos e ferramentas práticas associadas à construção com terra crua, dotando os formandos dos conhecimentos necessários à implementação em projecto e obra das diversas tecnologias tradicionais e modernas de construção com terra.

PROGRAMA:
- Introdução, especificidade, diversidade e universalidade da construção com terra.
- Sustentabilidade, práticas construtivas e gestão de recursos.
- Técnicas construtivas com terra crua.
- Recuperação do património construído em terra, conservação e manutenção.
- Identificação, análise e ensaios de solos para construção.
- Construção de modelo protótipo em Taipa.

FORMADORES:
Arq.ª Eva da Silva Quaresma
Arq.º Pedro Alves de Abreu

CARGA HORÁRIA E CALENDARIZAÇÃO:
23 horas;
15, 17, 19, 20, 23 e 25 e 27 de Novembro;
2.ª, 4.ª, 6.ª, 3.ª e 5.ª, das 19h00 às 22h00, e Sábados, das 10h00 às 14h00.

INSCRIÇÃO:
200 € (Isento de IVA, ao abrigo do n.º 14 do artigo 9.º do CIVA.)

Para + informações e inscrições por favor contactem:
ARQCOOP - Cooperativa para a Inserção Profissional em Arquitectura, CRL
Rua João Nascimento Costa, Lote 7
1900-269 Lisboa
Telf: 210107840
Fax: 210107841

* Esta actividade formativa foi validada pela Ordem dos Arquitectos e permite a obtenção de créditos para efeitos da formação obrigatória em temáticas opcionais, complementar ao estágio profissional.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Casa em taipa vence Concurso da Trienal de Arquitetura de Lisboa

A Trienal de Arquitetura de Lisboa divulgou recentemente os vencedores do concurso "Casa em Luanda: pátio e pavilhão", organizado em parceria com a Trienal de Luanda, e o vencedor é...uma casa de taipa!!

O projecto vencedor foi desenvolvido pela equipa liderada pelo arquitecto português Pedro Sousa e formada ainda por Tiago Ferreira, Tiago Coelho, Bárbara Silva e Madalena Madureira.
Muitos parabéns a toda a equipa!!
Interior do pátio
O concurso propôs a criação de um pátio, com baixo custo de construção, destinado a famílias de baixa renda constituídas por sete a nove pessoas. O sistema de construção teria que privilegiar a lógica de sustentabilidade, podendo considerar-se a execução em fases ou até mesmo a auto-construção por parte dos seus futuros moradores, além de utilizar sistemas, práticas e materiais correntes da arquitectura local.

A equipa vencedora desenvolveu uma habitação em taipa de pilão, composta por seis pátios ligados por um corredor central e que se relacionam com as diferentes funções da casa, como a cozinha, sala, banheiro e quartos.

Vista a partir da sala do pátio

Segundo os arquitectos, o projeto define "uma casa onde o interior comunica permanentemente com o exterior. Um interior íntimo e protegido, onde cada membro da família pode ter a sua privacidade e autonomia." A escolha de somente um material para a construção da casa vem da ideia de que a riqueza e diversidade da proposta ficassem evidentes na riqueza da tipologia, do espaço e da luz, e não na diversidade de materiais.

Concepção do projeto

O projecto vencedor, juntamente com os outros 30 finalistas, está em exposição desde o 9 de Outubro, na trienal de Lisboa, que acontece até o dia 16 de janeiro de 2011.

Pátios ligados por corredor central

Vencedores:

1º Lugar
Coordenador: Pedro Sousa (Portugal)
Equipa: Tiago Ferreira, Tiago Coelho, Bárbara Silva e Madalena Madureira

2º Lugar
Coordenadora: Cristina Peres (Portugal)
Equipa: Diogo Aguiar, Teresa Otto, Tiago Rebelo de Andrade

3º Lugar
Coordenador: Pablo Allen Vizán (Espanha)

4º Lugar
Coordenador: João Navas (Portugal)
Equipa: Fernando Reis Martins, Filipe Zumáran, João Ribeiro da Fonseca, Eduardo Viana, Luís Leocádio

Menção Honrosa
Coordenadores: Julian Restrepo e Pablo Forero (Colombia)
Equipa: Maria Buenahora, Manuela Mosquera e Carlos Lince

Tijolos de Terra com fibras de lã


Tijolos de terra com lã.
(Créditos da fotografia: Galán Marín et al.)

Investigadores espanhóis e escoceses acrescentaram fibras de lã à terra argilosa utilizada para fazer tijolos e combinou-os com um alginato, polímero natural extraído de algas marinhas.

O resultado das experiência é a criação de tijolos mais resistentes e "amigos do ambiente", de acordo com o estudo publicado recentemente na revista Construction and Building Materials.

"The objective was to produce bricks reinforced with wool and to obtain a composite that was more sustainable, non-toxic, using abundant local materials, and that would mechanically improve the bricks' strength," Carmen Galán and Carlos Rivera, authors of the study and researchers at the Schools of Architecture in the Universities of Seville (Spain) and Strathclyde (Glasgow, United Kingdom), said.

The wool fibres were added to the clay material used in the bricks, using alginate conglomerate, a natural polymer found in the cell walls of seaweed. The mechanical tests carried out showed the compound to be 37% stronger than other bricks made using unfired stabilised earth.

The study, which has been recently published in the journalConstruction and Building Materials, was the result of close collaboration between the British and Spanish universities. The clay-based soils were provided by brick manufacturers in Scotland, which was also the source of the wool, since the local textile industry cannot use everything it produces. "The aim was to produce a material suitable for adverse climatic conditions, such as the specific ones in the United Kingdom," the authors explain.

Advantages of environmentally-friendly bricks

The researchers studied the effect of reinforcing various soil types with sheep's wool, and arrived at various conclusions. "These fibres improve the strength of compressed bricks, reduce the formation of fissures and deformities as a result of contraction, reduce drying time and increase the bricks' resistance to flexion."

This piece of research is one of the initiatives involved in efforts to promote the development of increasingly sustainable construction materials. These kinds of bricks can be manufactured without firing, which contributes to energy savings. According to the authors: "This is a more sustainable and healthy alternative to conventional building materials such as baked earth bricks and concrete blocks."

Untreated clay was one of the earliest building materials to be used by humankind. The oldest examples of this can be found in houses in the Near East dating from between 11,000 and 12,000 years ago. Earthy material mixed with plants and pebbles to make them stronger has also been found in certain archaeological deposits from 1400BCE in Sardinia (Italy).

"

Journal References:

  1. Galán-Marín. Effect of Animal Fibres Reinforcement on Stabilized Earth Mechanical Properties. Journal of Biobased Materials and Bioenergy, 2010; 4 (2): 121
  2. C. Galán-Marín, C. Rivera-Gómez y J. Petric. Clay-based composite stabilized with natural polymer and fibre.Construction and Building Materials, 2010; 24 (8): 1462

Fonte: Plataforma SINC. "Bricks Made With Wool."ScienceDaily 6 October 2010. 26 October 2010 http://www.sciencedaily.com/releases/2010/10/101005085503.htm

Inauguração_Sede da Associação Centro da Terra_30 Out.2010



Data: Sábado, 30 de Outubro, pelas 16h00
Local: Antiga Escola Primária da Cova do Gato, Freguesia da Abela – Santiago do Cacém

PROGRAMA

Início pelas 16h00

– Acto Inaugural

– Descerramento de placa/lápide;

– Alocução pela Arqta. Teresa Beirão, presidente da associação CENTRO DA TERRA;
– Palestra “A Construção em Terra em Portugal” – pelo Arqto. Fernando Pinto, presidente da Assembleia Geral da associação CENTRO DA TERRA;
– Projecção Multimédia – Historial da acção da associação CENTRO DA TERRA;
– Exposição de equipamentos e utensílios para a construção com Terra
– Exposição de fotografia "Fotografias de Terra";
– Exposição e venda de livros sobre Arquitectura de Terra
– Beberete com produtos gastronómicos da Região do Alentejo

A associação agradece toda a divulgação do evento e convida todos os sócios e amigos a estarem presentes no dia 30, na Cova do Gato!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

2ª EDIÇÃO "REBOCOS DE CAL" AVIS | PORTUGAL 9-10 OUTUBRO 2010



A Delegação de Portalegre da Ordem dos Arquitectos - SRS tem o prazer de anunciar a V. Exa. A realização da 2ª edição do atelier "Rebocos de Cal".

Esta acção terá lugar em Avis, nos dias 9 e 10 de Outubro, e é organizada pela Delegação de Portalegre em parceria com o Município de Avis e com a empresa Fradical.

As inscrições deverão ser efectuadas por e-mail d.portalegre(at)oasrs.org

e serão limitadas a 20 participantes.


O custo será de 25€/pessoa, ficando o alojamento e as refeições a cargo dos participantes.

A organização agradece toda a divulgação do evento.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Obra Taipa_São Luís_2010



Mostramos agora, com algum atraso temporal (entretanto os trabalhos já terão avançado bastante) algumas fotos de uma moradia em taipa em construção em São Luís, Odemira.
Destacamos a beleza da textura e cor da terra (retirada a menos de 1 km do local) e a solução de pilares no interior, de apoio da cobertura, em conjunto com o lintel de bordadura.

As fotos foram tiradas em Junho de 2010.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Terra 2012_Lima | Peru


XI International Conference on the Study and Conservation of Earthen Heritage, Terra 2012
23-26 April 2012 - Lima, Peru

The International Scientific Committee on Earthen Architectural Heritage (ISCEAH) and the Pontifical Catholic University of Peru (PUCP) are pleased to announce that the XI International Conference on the Study and the Conservation of Earthen Architectural Heritage, Terra 2012, will be held in Lima, Peru, from April 23rd to 27th, 2012.
The main theme of the conference will be “Conservation of Earthen Architectural Heritage against Natural Disasters and Climatic Change” and more than 500 specialists in the fields of earthen architecture are expected to attend.
The conference will provide a unique and invaluable opportunity to discuss and exchange information on the latest advances in the research and conservation field.
Moreover, participants will learn about the cultural identity of earthen architecture in Latin America and be able to observe firsthand conservation issues in Peru, a country with a long and rich tradition of construction with earth.

Themes
Main Theme:
Conservation of Earthen Architectural Heritage against Natural Disasters and Climatic Change
1_Latin American Earthen Architecture at Risk: Earthquakes, Rain and Flood Damage
2_World Heritage Earthen Architectural sites, Natural Disasters and Climate Change
3_Conservation and Management Archaeological Sites
4_Conservation and Development of Human Settlements and Cultural Landscapes
5_Local and Regional Knowledge, Intangible Heritage and Social Impacts
6_Research in Materials and Technology for Conservation and Contemporary Architecture
7_Ancient/Historic and Innovative Solutions for Damage Prevention and Performance Enhancement in the Face of Natural Disasters
8_Charters, Standards and Guidelines for Heritage and Construction
9_Education, Training and Outreach

Contact information: terra2012@pucp.edu.pe
Pontificia Universidad Católica del PerúAv. Universitaria 1801, San Miguel

Workshops Embarro | CasadaCor 2010


II Jornadas de ECO CONSTRUÇÃO


II Jornadas de Eco-Construção
16 a 18 de Setembro de 2010
Baguim do Monte - Rio Tinto - Auditório Lipor

Mais informações em
www.aldeia.org
Apresentação
Acreditando que o presente é fruto de um passado sustentável, torna-se urgente resgatar essa antiga sabedoria em que Homem e o seu desenvolvimento viveram em equilíbrio e nos trouxe até hoje. Sentimos que esse equilíbrio foi quebrado e a pegada deixada caminha para níveis irreversíveis. Será a sociedade capaz de devolver este equilíbrio à natureza e deixar que a mesma torne possível a vida de gerações futuras? Esse é o desafio.
São agora inegáveis as “suspeitas” de uma degradação ambiental sem precedentes, violando ecossistemas e biodiversidade, mas também é certo o despertar para esta ECO Realidade, a forma como politicas ambientais e energéticas se vêm aproximando de condutas e acções que promovam o baixo impacte são indícios de que o tempo é de mudança de mentalidades. Questões como o mercado do carbono, a gestão de resíduos, reciclagem, energias endógenas são já um bom exemplo aplicado.
Com a certificação energética dos edifícios conseguiu-se sensibilizar para o uso eficiente da energia, passando a classificar os edifícios. Outro passo importante, e pioneiro na Europa, foi a implementação da avaliação da qualidade do ar interior nos edifícios, promovendo a segurança dos seus utilizadores e a sustentabilidade dos mesmos.
Falta, porém, medidas que sensibilizem para uma melhor utilização dos recursos, promover a aplicação de materiais autóctones e de produção na proximidade, uso materiais nobres e/ou reciclados, estudo do ciclo de vida de materiais a usar, a importância do edificado e a reabilitação sustentada, são alguns exemplos, entre muitos outros.
A Aldeia, cuja missão passa por contribuir para um desenvolvimento sustentável, fundamentado na conservação da Natureza e na preservação da Cultura e Tradições que sobrevivem nos meios rurais vem reeditar as Jornadas de Eco Construção de 2007, esperando que se concretize o êxito da altura e que a Eco Construção seja cada vez mais uma realidade. Será possível construir o futuro aproveitando a forma sábia como os nossos antepassados o fizeram, não abdicando do conforto e tecnologias disponíveis?
Acreditamos que sim, e prova disso são as inúmeras iniciativas e projectos a surgir em Portugal e pelo Mundo que aplicam e divulgam estes e outros conceitos para uma construção sustentável e ecológica, para uma vida em harmonia com a natureza. Os temas estão lançados e o convite feito, acreditamos neste futuro, por isso tratamos do presente! O nosso atraso, por vezes, é o nosso avanço!

Consulte
aqui o Programa

Poderá encontrar o formulário de inscrição on-line
aqui.
Contactos
ALDEIA - Acção, Liberdade, Desenvolvimento, Educação, Investigação, Ambiente
Apartado 295230-314 Vimioso
Tel: 962255827 / 919457984 / 966151131
Correio electrónico: aldeiamail@gmail.com

terça-feira, 31 de agosto de 2010

3º Encontro de Obras na Sede do CdT_Setembro_2010




Temos o prazer de anunciar o 3º Encontro de Obras na Sede do CdT, a realizar nos próximos dias 18/19 de Setembro 2010.
Já em fase de preparação para a inauguração da sede da Associação, há no entanto ainda algum trabalho para fazer!
Temos que limpar o espaço exterior e com as tintas de barro oferecidas pelos amigos da CasadaCor contamos conseguir um acabamento expressivo e colorido aos espaços, mas precisamos para isso do apoio de sócios e amigos! Estão desde já todos convidados para mais um encontro de convívio e trabalho, desta vez para ajudar a concluir as pinturas da nova sede da associação Centro da Terra!
Para mais informações contactem a associação pelo mail: info(at)centrodaterra.org

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Associação Centro da Terra no Facebook!


"A Associação Centro da Terra também já está no Facebook!

Aproveitando os novos meios de divulgação à disposição, o CdT propõe-se dar continuidade aos seus objectivos de estudo, documentação e difusão da construção com terra em Portugal, promovendo a participação activa dos sócios e amigos nas iniciativas promovidas pela associação.
Paralelamente ao site
www.centrodaterra.org, o CdT conta disponibilizar nesta plataforma informação actualizada sobre a Construção e Arquitectura de Terra em Portugal e no mundo, com fotografias de eventos, publicações disponíveis, links e iniciativas, entre outros.

Para aceder à página do CdT podem clicar aqui ou através do www.facebook.com/group.php.

A associação Centro da Terra convida todos os sócios e amigos a aderirem e participarem connosco no Futuro da Construção com Terra!

Para mais informações contactem a associação pelo mail: info(at)centrodaterra.org "

Mãos na Terra_Construção Natural_Setembro2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Workshops_Cal-Earth_USA


Workshops at Cal-Earth (The California Institute of Earth Art and Architecture)
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September 20-25 One-Week Workshop
October 18-23 One-Week Workshop
November 15-20 One Week Workshop

What are the subjects taught?
Below is a list of topics covered in our workshops. Teaching methods are in the tradition of Nader Khalili with philosophy, design theory, and principles taught through the expression of the hands-on experience.

Topics Covered:
The principle of the arch
Superadobe basics
Soils practicum and discussion
Super-adobe with stabilized earth
Plaster workshop with stabilized earth
Learning to read blueprints, elements of design, placing windows and doors
Contrasting domes with vaults, vaulted roofing system, dome geometry
Site planning, orientation, simple solar passive strategies
Compass theory and application
Waterproofing, foundations
Ceramics discussion and Introduction
Properties of clay, ceramics as art and aesthetics & ceramic architecture
Building with brick & firing a ceramic dome — demonstration and discussion

Cost:
One-week intensive workshop - $1,600 (For couples and groups a discount of 20% applies for the 2nd person onwards.)

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