terça-feira, 31 de março de 2009

Regresso das casas em terra_Roberto Dores

Regresso das casas em terra
Roberto Dores

"A construção em terra voltou a ter procura em Portugal, sobretudo no Litoral Alentejano e Algarve, onde os arquitectos vêm aperfeiçoando as técnicas de reutilização de materiais em nome da "sustentabilidade do futuro". Garantem os especialistas que a maior vantagem desta construção recai sobre o comportamento das casas em termos de inércia térmica, fazendo com que o interior dos imóveis seja fresco no Verão e quente no Inverno.

A arquitecta Maria Fernandes, da Associação Centro da Terra, garante ao DN que este comportamento energético tem por base o facto das paredes serem muito grossas - construídas em taipa (terra prensada), no caso do Alentejo, ou em blocos de terra comprimidos, na região algarvia - atingindo espessuras volumétricas de meio metro, dispensando o uso de ares condicionados. "O Verão é sempre fresco, porque o interior da casa demora tanto tempo a aquecer que, quando isso acontece, já estamos no Inverno", sustenta a mesma especialista.

Nos meses frios, uma simples lareira é suficiente para aquecer todo o imóvel, como tem sido demonstrado pelas recentes experiências alentejanas, onde o clima se caracteriza por elevadas diferenças térmicas. Este tema esteve em foco durante o IV Seminário Ibero-Americano, que juntou 160 especialistas em Monsaraz, não passando despercebido o facto de ter sido a comunidade estrangeira que reside no Litoral Alentejano e Algarve que começou a procurar esta modalidade de construção, sobretudo numa região em que a terra revela grande qualidade para retomar tradições antigas ao nível da edificação. Por isso, o número de restauros de habitações rurais e urbanas, com recurso a técnicas tradicionais, disparou, com a particularidade de os arquitectos terem enveredado por uma actualização contemporânea.

A directora da Escola Superior Gallaecia, Mariana Correia, explica que as maiores vantagens do regresso à construção em terra recaem "nas questões ecológica e sustentável", justificando que "a terra é da terra. Permite que se retire material para a construção do próprio local onde se quer edificar. Dá para retirar dos caboucos para as fundações e não é preciso o transporte, o que promove a sutentabilidade".Numa altura em que "os recursos energéticos naturais se começam a esgotar", Mariana Correia alerta que a construção em terra consome, em média, menos 60% de água do que a construção em betão, "e não polui o ambiente".

A arquitecta diz que este modelo de construção acaba por responder a muitos anseios da população, sobretudo de um extracto social médio/alto, que procura uma segunda casa fora de Lisboa e centralizada na costa.

Embora sejam casas mais caras do que as convencionais, a competitividade que começa a caracterizar a construção em terra está a fazer baixar o custo da mão-de-obra, permitindo aproximá-la dos preços do betão e tijolo."

1 comentário:

cmcm disse...

Olá!
Obrigada pelo comentário no roof e também pelo contacto da Isabel Valverde. Vou com certeza contactá-la!
Mais um excelente post este. Não deixo de esboçar um sorriso porque se fala de arquitectos portugueses, de profissionais nacionais que, nao só acreditam eles próprios, mas também fazem os outros acreditar no potencial do material terra!