terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Seminário_26Jan09_Univ. Minho_Restoration of the Bam Citadel after the 2003 Earthquake


Realiza-se no próximo dia 26 de Janeiro de 2009, no decurso do Seminário na Universidade do Minho, uma Conferência proferida pelo Professor Mehrdad Hejazi da Universidade de Isfahan, Irão, sobre os temas :
Restoration of the Bam Citadel after the 2003 Earthquake
Risks to Cultural Heritage in Western and Central Asia


Esta fotografia foi tirada antes do terramoto pela QuickBird satellite a 30 de Setembro de 2003


Esta fotografia foi tirada após o terramoto pela QuickBird satellite a 3 de Janeiro de 2004

Poder-se-á pensar que é um tiro no pé falar no blog da fragilidade sismica em Bam destas estruturas em terra, no entanto é preciso compreender que os edifícios em Bam foram, na sua esmagadora maioria construídos sem essa preocupação, e que muito provavelmente o nível de destruição e tragédia numa cidade construída em betão e tijolo sem cálculos preventivos em termos de sismicidade poderia ser até maior que aquele que observámos no Irão.
Temos sempre tendência para olhar o passado com os nossos olhos, o nosso conhecimento, os nossos conceitos, e muitas vezes consideramos esse passado como atrasado ou retrógado, olhamos para Bam e dizemos " estava-se mesmo a ver, era tudo em terra, se fosse em betõe não caía!" e depois ficamos espantados quando observamos obras fabulosas de engenharia sem o recurso ao betão e com séculos de existência e estabilidade, construidas por esse mesmo passado, e do mesmo modo a verdade é que edifícios em betão e ferro também caiem.
É preciso encarar a realidade e separar as questões, as novas construções em terra devem ter como premissa o cálculo e reforço estrutural sismico, não é novidade, não conheço aliás nenhuma das construções ditas normais que não o tenha, e este pode ser metálico, em betão ou noutro material que lhe confira a resistência necessária. A arquitectura de terra deve olhar para o Futuro integrando-se e inovando, orgulhosa da beleza do seu passado, mas com as ferramentas e tecnologias existentes no Presente.
O verdadeiro desafio em tudo isto, e creio que será debatido e demonstrado no Seminário é o de como recuperar Bam (porque este monte de terra tem um valor histórico inestimável), e é um desafio não apenas para quem lá vive, mas para arquitectos, historiadores, engenheiros, arqueólogos e construtores.
Há no entanto uma boa notícia, a terra das casas está lá toda! Se fosse em betão ia tudo pró lixo!

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