segunda-feira, 1 de junho de 2009

Arq_Terra_Odeceixe_Arq. Henrique Schreck


Cabo Sardão, Costa Vicentina

Visitámos há umas semanas, na companhia do Arq. Henrique Schreck, uma das suas mais recentes obras, uma pequena e simpática moradia de férias próximo de Odeceixe, para um jovem casal com duas crianças, que vive e trabalha na zona de Lisboa.
Foi para nós uma agradável surpresa, primeiro porque não conheciamos ainda Odeceixe e esta zona sul do Litoral Alentejano, mas sobretudo, e em relação à moradia visitada, pela simpatia com que fomos recebidos pelos donos da casa, pela beleza simples dos espaços construídos e a utilização inteligente dos materiais locais.
Voltámos para Lisboa com uma vontade enorme de regressar e colher mais da experiência de construção em taipa e adobe e dos ensinamentos sobre estas técnicas.
Deixamos aqui algumas fotografias da nossa visita.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Feira _Santarém Sustentável_Junho 2009



Informamos que em Santarém, durante próximo mês de Junho se realizará o evento denominado “MÊS DO AMBIENTE, SANTARÉM SUSTENTÁVEL”.
Podem consultar o programa completo do evento aqui.

Integrado neste certame, nos dias 3 e 4 de Junho, será apresentada uma abordagem teórico/prática de ECO CONSTRUÇAO realizada pelos Arq. Pedro correia e Eng. Fernando Cartaxo da empresa COMTERRA.

Para participar é obrigatória inscrição na Divisão de Resíduos e Promoção Ambiental da Câmara Municipal de Santarém através dos seguintes contactos:

Telefone: 243 304 450

terça-feira, 12 de maio de 2009

KRAFTERRA_Conferência_Márcio Buson

KRAFTERRA_Conferência sobre Arquitectura de Terra pelo Arquitecto Márcio Buson

Conferencista_
Márcio Albuquerque Buson - Possui graduação em Arquitectura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (1985-1990) e mestrado em Arquitectura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (1996-1998).

Actualmente é professor da Área de Construção do Departamento de Tecnologia em Arquitectura e Urbanismo da FAU/UnB. Doutorando em Tecnologia da Construção pela FAU/UnB com Estágio de Doutoramento no DECivil da Universidade de Aveiro.

Tema_
KRAFTTERRA é um projecto experimental de Doutoramento em desenvolvimento na Universidade de Brasília (FAU/UnB) e na Universidade de Aveiro (DECivil/UA). O tema envolve o processo de produção e a análise de desempenho de blocos de terra compactada - BTCs - com a incorporação de fibras de papel kraft proveniente da reciclagem de sacos de cimento.
A Indústria da Construção Civil gera uma grande quantidade de resíduos sólidos, o que proporciona um enorme impacto ambiental pelo facto desse entulho de obra ser em grande parte descartado na natureza sem qualquer aproveitamento ou tratamento. O estudo inside sobre o papel kraft oriundo dos sacos de cimento, os quais na sua grande maioria não são reciclados por se encontrarem "contaminados" pelo cimento. Em Portugal, este resíduo é considerado tóxico e perigoso, não sendo recomendada a sua colecta e/ou depósito nos ecopontos.
A conferência terá lugar no Salão Nobre da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, quinta-feira, dia 14, pelas 18.00h.


Tijolos de Adobe a secar ao Sol

Blocos de BTC_Solo-cimento
Pergunta: Partindo de uma lógica de reaproveitamento das fibras de papel kraft com vestígios de cimento, que é interessante, quase ecológica, coloco a questão, será que inserindo-as na terra, não estaremos nós a contaminar uma técnica que pressupõe elementos físicos naturais e compatíveis? A contrução em terra é como um músculo, será que queremos ter cimento a correr nas veias?


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Água e Argila_Construção com Terra

A água _Principal ligante da terra

O elemento H2O água tem um papel essencial na aptidão da terra como material de construção. É ela que reforça a sua coesão e aumenta decisivamente a interacção entre as partículas de argila.
Na verdade, uma parede em terra nunca está completamente seca, e ainda bem, ao contrário do que se possa pensar. Ela contém sempre água entre as argilas.
Uma água que não se evapora, uma vez que se encontra em equilíbrio com a humidade relativa do ar envolvente. Neste estado de equilíbrio hídrico, a terra contém no seu interior cerca de 2 a 3 % de humidade (variável). Isto é equivalente a aprox. 16 litros de água para uma parede de 3 metros e 50 cm de espessura. Sem esta água seria impossível construir a parede em terra, esta desagregar-se-ia, devendo-lhe por isso grande parte da sua coesão e a sua forma de sólido coerente e estável.
Neste sentido, os testes de teor de água na terra para taipa são interessantes porque mostram que as suas propriedades variam significativamente com as variações na percentagem de água. Ao examinar os diferentes estados da terra, da sua transição de seco para molhado, percebemos, por exemplo, que um ligeiro aumento na quantidade de água induz rapidamente a transição do estado plástico para o líquido.
Por outro lado, algumas regras de composição granular podem também ter impacto na coesão da terra. Se, ao adicionarmos água, também incluirmos elementos como areia ou cascalho, esta estabilização permite controlar a fissuração do material.

Foto de Caulinite realizada com microscópio de scan electrónico.

Neste sentido é importante perceber a Argila e a sua relação com a água.
Os Grãos de argila, pela sua pequena dimensão e forma, estão sujeitos a forças capilares muito mais elevadas do que os outros grãos, maiores e arredondados.
Estes diferem dos outros componentes da terra, não só em tamanho, mas também pelas formas microscópicas lamenlares que lhes dão uma massa insignificante comparada com a sua superfície. Nestas micro-lamelas, as propriedades superficiais são determinantes, e na presença da água, as suas propriedades macroscópicas, como a plasticidade e a coesão ganham presença.



Esquema da ligação da argila e água entre grãos de areia

Depois a compressão da terra faz o resto.

A resistência da terra está directamente relacionada com seu grau de compactação quando é comprimida por um determinado esforço. Para cada tipo de solo e para cada esforço de compactação existe uma determinada humidade, denominada humidade óptima de compactação, na qual ocorrem as condições em que se pode obter a melhor compactação, ou seja, a maior massa específica seca.

Nestas condições, o solo apresenta também menor porosidade, caracterizando-se assim num material com maior durabilidade e maior resistência mecânica.
A humidade óptima de compactação pode ser determinada em laboratório através da medição da massa específica do solo sujeito a diferentes humidades, compactado num determinado molde (cilindro de Proctor).

As massas específicas são representadas em gráfico, em função da humidade, e a sua massa específica máxima, obtida na curva, define a humidade óptima de compactação do solo específico (ver gráfico).


Selecção de Solos e Métodos de Controle em Construção com Terra - Práticas de Campo_Proterra

Por tudo isto, dizem os conhecedores, e com razão, que na construção em taipa estamos a fazer pedra num curto espaço de tempo, aquilo que a Natureza leva séculos a criar.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Casas da Terra_Passeios Patrimónios da Terra_Marta Santos

Recebemos com prazer o apoio manifestado ao blog nos vários mails que temos recebido, agradecemos a todos.
É sempre engraçado e também um pouco confuso, nós que nos consideramos uns "putos" nestas coisas da construção com terra podermos ser considerados referência para alguma coisa.
Acreditamos apenas que a terra como material merece ser divulgada, e se nos fecharmos com a informação que possuimos, se não a partilharmos, nunca vamos enriquecê-la e evoluir no conhecimento e experiência que a terra nos pode dar. Felizmente não somos os únicos a pensar assim.
Todos os dias conhecemos bons exemplos como o da Arquitecta Marta Santos que tem desenvolvido em co-autoria diversas oficinas e actividades sobretudo junto da comunidade escolar, bem como participado em publicações e documentários relevantes como:

PUBLICAÇÕES
“Materiais, técnicas e sistemas de construção tradicional: Contributos para o estudo da arquitectura vernácula da região oriental do Algarve”
Edição: CCDR Algarve (http://www.ccdr-alg.pt/), 2008.
Concepção: Alexandre Costa, Marta Almeida, Marta Santos, Stefano Malobbia, Vítor Ribeiro.

“Gtaa Sotavento: Síntese dos trabalhos 2001-2007”
Edição: CCDR Algarve (http://www.ccdr-alg.pt/), 2008.
Concepção: Alexandre Costa, Marta Almeida, Marta Santos, Stefano Malobbia, Vítor Ribeiro.

“Património Rural Construído do Baixo Guadiana”
Edição: Associação Odiana (http://www.odiana.pt/), 2004.
Concepção: Alexandre Costa, Eugénia Teixeira, Marta Santos, Miguel Reimão Costa, Vítor Ribeiro, Stefano Malobbia, Walter Matias.

DOCUMENTÁRIOS:
“Da Natureza nascem as casas”.
Edição: CCDR Algarve e Câmara Municipal de Albufeira, 2006.
Realização de Jorge Sá. Conteúdos de Isabel Valverde e Marta Santos (Projecto Mitr).

PROJECTOS EDUCATIVOS:


Casas da Terra ®”. 2008, 2009.
Concepção e Realização de José Lima Ferreira e Marta Santos.
Locais: Palácio da Galeria / Museu Municipal de Tavira (2008) e Centro Ambiental da Pena (2009)
Ver Brochura/Programa aqui

“Passeios Patrimónios da Terra”
Concepção Palácio da Galeria / Museu Municipal de Tavira
Orientação de Marta Santos e habitantes locais
Locais: territórios extra-urbanos do concelho de Tavira
Ver Brochura/Programa aqui

domingo, 3 de maio de 2009

Blog_Perspectiva de Futuro


Parede em taipa, Zambujeira do Mar, Odemira.
Somos verdadeiramente apaixonados pela construção em terra.
Fazemos parte orgulhosa daquele grupo dos que se emocionam com a simplicidade e coerência incrível destas técnicas, com a beleza das cores e texturas, com a subtileza e importância dos detalhes, com a riqueza construtiva e cultural da terra.

Somos dos que entendem e defendem o material terra como uma escola de sustentabilidade, só possível através da humildade e da experiência. Sabemos que fazemos parte deste Futuro e já imaginamos como serão a formação, o projecto e a construção em Terra daqui a 10, 15, 20 anos.
Na semana passada fomos desafiados, e ainda bem, a observar e relançar o trabalho desenvolvido no Blog do ponto onde nos encontramos, quais os nossos sonhos, o seu potencial e que caminho queremos seguir.

Aceitámos o convite, dialogámos com quem sabe mais, aprendemos conversando e fizemos novos amigos.

No Blog somos visitados diariamente por dezenas de curiosos e entendidos na matéria, recebendo feedback dos vários cantos do Mundo.
Acreditamos estar a construir com o
ArquitecturasdeTerra um espaço aberto e responsável, centrado na universalidade da construção em terra, de divulgação, conhecimento e discussão de ideias.

Neste sentido, e de forma a ampliar esta plataforma de sinergias relacionadas com a terra, estamos apostados em promover uma MOSTRA DE PROJECTOS ON-LINE com posteriores visitas às obras de terra, dialogando com os projectistas e construtores, organizando DEBATES e mesas redondas, ENCONTROS e EXPOSIÇÕES sobre a terra.

Queremos debater tudo, desde as razões Históricas, sociais e culturais, aos aspectos técnicos, físicos,químicos e até estéticos da construção com terra.

Convidamos por isso todos os interessados que tenham projectos e/ou obras construídas, ideias para debate e divulgação, a contactarem connosco para o mail: arquitecturasdeterraatgmail.com, ou pelo tlm 914854458.

Os sonhos para o Futuro da Arquitectura de Terra constroem-se hoje.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Encontro e Oficina_Construção em Terra_Monsaraz





No próximo dia 2 de Maio, vai realizar-se em Monsaraz, o Encontro e Oficina de Construção em Terra. O ajuntamento será no Sem-Fim ( restaurante/museu de azeite) no Telheiro que fica "embaixo" de Monsaraz.

O programa consiste em dois módulos distribuidos aos longo do dia, começando com um primeiro módulo teórico matinal, com as apresentações de Bryn Golton e Rui Ferreira.
Quanto ao módulo prático, pela tarde, pretende introduzir e demonstrar 3 das técnicas de construção em terra, o Adobe, o Cob e a Taipa.
O limite máximo de é de 25 pessoas pelo que se recomenda a inscrição, custa 40 euros (piquenique e jantar incluídos).

Para mais informações e inscrições contactem a Andreia pelos tlms 964267637 /967282106.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Colunas de Terra_Inauguração_Barafunda_Plano B





Este projecto desenvolvido em parceria entre a Associação Barafunda e a equipa de arquitectos Plano B Arquitectura visou envolver os elementos da associação e a comunidade na construção de um equipamento polivalente para as actividades da Quinta Pedagógica da Barafunda, na Benedita.

As Colunas de Terra foram construídas com mão-de-obra voluntária em workshops realizados nos quatro fins-de-semana do mês de Setembro de 2008.
É possível acompanhar todo o processo pelo blog http://planob-barafunda.blogspot.com/.



O obra está pronta e será inaugurada no próximo sábado, dia 18 de Abril, pelas 15h00. Para consultar todas as informações sobre o evento, incluindo o programa previsto para a tarde de sábado e a manhã de domingo, acedam ao site da Barafunda aqui.


Todas as fotos são da autoria do Plano B.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Acção de Formação_Matriz_Maio_2009

A Associação Matriz, no seguimento das actividades desenvolvidas anteriormente, vai realizar em Maio de 2009, mais uma acção de formação sobre conservação e recuperação de construções em Taipa. O local onde vai decorrer a acção e sede da associação é Taliscas, uma pequena aldeia próxima de Odemira (ver mapa aqui)
Aqui fica então o Programa:
ACÇÃO DE FORMAÇÃO "CONSERVAÇÃO E RECUPERAÇÃO EM TAIPA - Maio 2009
16 de Maio, Sábado
Formadoras - Arqªs Maria Fernandes e Susana Sequeira
9:30/12:30 - Apresentação/Objectivos pedagógicos; Património arquitectónico do Alentejo
14:00/18:00 - Degradação – causas / patologias; Conservação – prevenção / reparação; observação de ruínas
17 de Maio, Domingo
Formadores Engª Maria Goreti Margalha / Arqªs Maria Fernandes e Susana Sequeira
9:30/12:30 – Argamassas de cal / análise do material / modos de preparação e aplicação 14:00/18:00 - Intervenção prática num edifício / planificação da intervenção / identificação da terra da construção
22 de Maio, Sexta-feira
Formadores – Arqs. Miguel Rocha e Susana Sequeira
9:30/12:30 – Intervenção prática num edifício / correcção de diversas patologias superficiais
14:00/18:00 – Apresentação obra de recuperação / Intervenção prática sobre edifício / Reconstituição de zonas em ruína.
23 de Maio, Sábado
Formadores – Arqs. Miguel Rocha e Susana Sequeira
9:30/12:30 – Intervenção prática num edifício / correcção de diversas patologias profundas
14:00/18:00 – Intervenção prática num edifício / reconstituição de zonas em ruína
24 de Maio, Domingo
Formadoras – Arqªs Maria Fernandes e Susana Sequeira
9:30/12:30 – Intervenção prática num edifício / rebocos de terra
14:00/18:00 – Finalização dos trabalhos. Sessão de encerramento / entrega de diplomas
Para mais informações e inscrições contactem por favor o amigo Raul pelo email raulalmeida@matriz.org.pt
Quem estiver curioso e quiser ver algumas imagens da acção de formação anterior, dê uma espreitadela aqui
(sem demérito para os demais formandos, mas o moço de azul tem jeito para taipeiro!...)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Schlins, Austria


Fotografia da Habitação em Schlins, Austria
Autoria de Martin Rauch e Roger Boltshauser (direitos da imagem)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Palestra_Maria Fernandes_Univ. Coimbra



Universidade de Coimbra
Mestrado em Conservação e RestauroDisciplina de "Instituições e Políticas de Património Cultural
Ciclo de Sessões Abertas -
CONVITE
No próximo dia 24 de Abril de 2009 pelas 11:00h, a Arquitecta Maria Fernandes, Mestre em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico, Bolseira de Doutoramento em Arquitectura (FCTUC) do I.I.I. da U.C., membro do ICOMOS-Portugal, Rede PROTERRA e Associação Centro da Terra, apresentará uma palestra com o tema "Arquitectura em Terra. Conservação e futuro", no Dep. Eng. Civil - FCTUC - Polo 2 da Universidade de Coimbra - Sala SE 4.2.
Esta conferência, surge no âmbito da disciplina "Instituições e Políticas de Património Cultural" do Mestrado em Conservação e Restauro da Universidade de Coimbra. Esta aula/palestra está aberta a todos os interessados (alunos de outros cursos, docentes, técnicos ou simplesmente entusiastas do Património).
Para uma melhor gestão do evento a organização agradece uma inscrição prévia por parte dos interessados, por email, para os docentes responsáveis: Prof. Doutor José António Raimundo Mendes da Silva (raimundo@dec.uc.pt) e Profª Doutora Maria Isabel Morais Torres (itorres@dec.uc.pt).
A entrada é livre.

terça-feira, 31 de março de 2009

Angola_novas tecnologias na construção casas de terra

Angola: novas tecnologias aplicadas na construção de casas de terra melhoram habitação- Especialistas
17 de Maio de 2008, Braga

(Lusa) - Os investigadores da Universidade do Minho, Said Jalali e Rute Eires, defenderam, hoje, em Braga que "as recentes inovações tecnológicas aplicadas na construção de casas em terra" podem ser aplicadas em Angola, onde não falta matéria-prima adequada.
"A introdução de técnicas inovadoras pode desfazer preconceitos em relação a este tipo de construção e promover a sua utilização no mercado da habitação e construção", afirmaram.
Os dois peritos do Departamento de Engenharia Civil falaram na Conferência intitulada "Angola: Ensino, Investigação e Desenvolvimento (EIDAO 08)" que, hoje, terminou na Universidade do Minho e que, sob a presidência do universitário angolano, Joaquim Macedo, juntou 100 académicos, investigadores, homens de cultura e agentes económicos, sociais e políticos de Portugal, Angola e Brasil.Said Jalali e Rute Eires lembraram que "Angola é um país com excelentes condições para a utilização da construção em terra, pelo seu clima e pela sua abundante matéria-prima".
Revelaram que "as inovações neste tipo de construção consistem, sobretudo, no desenvolvimento de soluções de estabilização do solo que trazem melhorias significativas em termos de durabilidade, economia, sustentabilidade e estética".
Referiram que "a estabilização do solo é realizada por diversos meios, como por exemplo, pela mistura de terra com outros materiais como o cimento, a cal, pozolanas e cinzas volantes e adições, em pequenas quantidades, de alguns aditivos de origem material".
Com estas especificações - sublinharam - "é possível obter um material de construção mais durável, pelas suas maiores resistências à água, a bactérias e fungos e pela sua maior resistência mecânica".

Tal permite, ainda, "reduzir o tempo de cura do material e obter um aspecto mais adaptado às actuais exigências sociais".
Os dois peritos lembraram que a introdução desta tecnologia pode mudar a percepção desajustada de que o uso da terra na construção "está ligado à pobreza", acentuando que "se estima que metade da população do globo, três biliões de pessoas viva em construções de terra crua, realizadas através de diversas tecnologias".
LM.
Lusa

Regresso das casas em terra_Roberto Dores

Regresso das casas em terra
Roberto Dores

"A construção em terra voltou a ter procura em Portugal, sobretudo no Litoral Alentejano e Algarve, onde os arquitectos vêm aperfeiçoando as técnicas de reutilização de materiais em nome da "sustentabilidade do futuro". Garantem os especialistas que a maior vantagem desta construção recai sobre o comportamento das casas em termos de inércia térmica, fazendo com que o interior dos imóveis seja fresco no Verão e quente no Inverno.

A arquitecta Maria Fernandes, da Associação Centro da Terra, garante ao DN que este comportamento energético tem por base o facto das paredes serem muito grossas - construídas em taipa (terra prensada), no caso do Alentejo, ou em blocos de terra comprimidos, na região algarvia - atingindo espessuras volumétricas de meio metro, dispensando o uso de ares condicionados. "O Verão é sempre fresco, porque o interior da casa demora tanto tempo a aquecer que, quando isso acontece, já estamos no Inverno", sustenta a mesma especialista.

Nos meses frios, uma simples lareira é suficiente para aquecer todo o imóvel, como tem sido demonstrado pelas recentes experiências alentejanas, onde o clima se caracteriza por elevadas diferenças térmicas. Este tema esteve em foco durante o IV Seminário Ibero-Americano, que juntou 160 especialistas em Monsaraz, não passando despercebido o facto de ter sido a comunidade estrangeira que reside no Litoral Alentejano e Algarve que começou a procurar esta modalidade de construção, sobretudo numa região em que a terra revela grande qualidade para retomar tradições antigas ao nível da edificação. Por isso, o número de restauros de habitações rurais e urbanas, com recurso a técnicas tradicionais, disparou, com a particularidade de os arquitectos terem enveredado por uma actualização contemporânea.

A directora da Escola Superior Gallaecia, Mariana Correia, explica que as maiores vantagens do regresso à construção em terra recaem "nas questões ecológica e sustentável", justificando que "a terra é da terra. Permite que se retire material para a construção do próprio local onde se quer edificar. Dá para retirar dos caboucos para as fundações e não é preciso o transporte, o que promove a sutentabilidade".Numa altura em que "os recursos energéticos naturais se começam a esgotar", Mariana Correia alerta que a construção em terra consome, em média, menos 60% de água do que a construção em betão, "e não polui o ambiente".

A arquitecta diz que este modelo de construção acaba por responder a muitos anseios da população, sobretudo de um extracto social médio/alto, que procura uma segunda casa fora de Lisboa e centralizada na costa.

Embora sejam casas mais caras do que as convencionais, a competitividade que começa a caracterizar a construção em terra está a fazer baixar o custo da mão-de-obra, permitindo aproximá-la dos preços do betão e tijolo."

Casas de terra molhada_Isabel Lucas

Casas de terra molhada
Isabel Lucas
"Os homens de Relíquias constroem casas como as que os mouros faziam há muito tempo e o barulho que a obra tem ouve-se menos que o do calor à uma da tarde.
É que para António e para Jorge, construtores de paredes de terra, o calor tem um som que às vezes pesa mais que o do silêncio. É feito do bater das asas dos besouros, do voo dos insectos, e àquela hora abafa qualquer conversa.
Estão empoleirados em muros de terra num monte a dez quilómetros da Zambujeira do Mar e dizem que o calor ali se ouve menos que "nas Relíquias", e as Relíquias só ficam um pouco mais "para dentro", a nordeste de Odemira. "Aqui sempre sopra o vento do mar que refresca a gente", diz António enquanto calca a terra com um objecto de madeira igual ao que tantos homens usaram em muitas gerações anteriores à sua.
António faz casas de terra e enquanto as faz não há barulho que não o do malho a cair na taipa húmida. É um som abafado, grave, que fica enterrado mal os braços descem. Não há betoneiras nem gruas, não se parte tijolo nem pedra. É só terra calcada e os braços de sete homens protegidos do sol por sete chapéus. A terra abafa o som da obra e os homens não se ouvem no zumbido dos insectos. Também a voz de Jorge mal se escuta. Enche baldes de terra tirada do pinhal, ali mesmo ao lado. É terra escura que vai temperando com areia e cascalho e amolece depois com água e um regador, até que a massa fique moldável. "Não pode estar nem muito molhada nem muito seca senão a parede racha", explica António do alto do muro e sem interromper os gestos, o sincopado do acamar da terra. Jorge é novo. O mais novo dos sete, e há dois anos que se juntou aos outros para fazer casas de terra. Diz que gosta, mas falta-lhe convicção. Diz que "é moda" e aí já sorri.
Rega a terra e por vezes agarra-a com as mãos, faz dela uma bola para lhe testar a consistência e atira-a para o monte. Os outros homens estão em cima de muros que hão-de ser paredes de uma casa e esperam a terra que Jorge lhes há-de levar em baldes. A essa terra como a que Jorge faz, moldada depois entre dois taipais de madeira, chama-se taipa e é dela que estão a nascer cada vez mais casas na região de Odemira.
Rudolfo Muller começou a construir uma há dois anos e já vive nela. "Tem um óptimo isolamento térmico e acústico", afirma. Este suíço que se instalou em Portugal há 23 anos diz que não é um fundamentalista da natureza, mas ao saber das qualidades da taipa não hesitou. "Um dos segredos está na espessura das paredes e no modo como a terra é comprimida", adianta. Ao contrário dos tijolos de adobe, a taipa não se transporta em peças. É construída directamente na obra, por fases, e a cada uma chama-se taipal. António, velho conhecido de Rudolfo, ajuda na explicação como pode. "Um taipal leva 115 baldes da mistura de terra, pedras, areia e água; tem dois metros de comprimento, 50 centímetros de largura e de altura e entre três e quatro horas de trabalho". Depois é deixar secar e acrescentar-lhe outra nova, até ficar parede que não deve ser pintada antes de um ano, para que saia toda a humidade, porque "só a humidade destrói a taipa".
No Monte da Choça, onde Rudolfo mora, bem perto de S. Teotónio, já havia casas de taipa com paredes de reboco, caiadas de branco, como quase sempre se fazia no Alentejo. Era assim, até a tradição se perder quando a taipa passou a ser olhada como "coisa de pobres". Rudolfo decidiu preservá-la na nova casa, mas quer dispensar o reboco de uma das fachadas e pintá-la de ocre. Será então ocre sobre taipa e da cor da taipa "no lado onde bate o vento". E na casa de Rudolfo a taipa tem a cor da cortiça acabada de tirar. Já na que António e Jorge constroem parece cortiça seca. "Depende da terra", explica António, e Rudolfo também sabe que a taipa tem a cor do chão com que é feita.
Ficou de levar umas cervejas aos homens e eles cobram-lhe a promessa. Estão ao sol desde as oito da manhã e só irão para a sombra quando forem seis da tarde. Há um mês que erguem as paredes da casa do monte vizinho de Rudolfo e elas ainda não levam o tamanho de um homem, "nem nada que se pareça". Jorge, que vive numa casa de tijolo, diz que há trabalho para mais um ano. António, que sempre viveu numa casa de taipa, gostava que esta já tivesse tecto porque não há nada mais fresco. Só que a taipa só se constrói ao sol e é por isso que António encolhe os ombros sem nunca deixar de calcar a terra.
"Há coisas piores. Como tirar cortiça. Pelo menos aqui não há formigas..." E pior que isso "é andar nas minas, estar enterrado, sem ver o Sol", acrescenta Jorge. António e Jorge constroem casas de taipa, mas também fazem casas de tijolo. Gostam que a taipa "seja agora coisa chique". "

quarta-feira, 25 de março de 2009

BetãoeTaipa/Arquisol


A empresa Betão e Taipa em parceria com a Arquisol estarão presentes na I Feira de Energias Renováveis, Construção e Ambiente Sustentáveis em Serpa, com um espaço de exposição ao público que conjuga as principais técnicas de construção em terra da região - a taipa, o adobe e as abóbadas – com técnicas e procedimentos actuais.

Aproveitamos para divulgar imagens do stand ainda em fase de execução e convidar toda a gente a visitá-los nos dias 27, 28 e 29 de Março, no Pavilhão Multiusos de Serpa.





Para contactar a Arquisol e a Betão e Taipa, na pessoa da Arq. Maria da Luz Seixas e do Francisco Seixas aqui ficam os contactos:

ARQUISOL – ARQUITECTURA E PLANEAMENTO, LDA.

BETÃO E TAIPA – CONSTRUÇÃO E RECUPERAÇÃO DE EDIFÍCIOS, LDA.

Rua Quente, 10 – 7830-369 Serpa - Portugal

Tel.: +351 284 543 137 - Fax.: +351 284 543 146

Telm.: +351 964 049 132

E-mail: f.seixas@arquisol.pt

mailto:

info@arquisol.pt

f.seixas@betaoetaipa.pt

info@betaoetaipa.pt



Sites: http://www.arquisol.pt/

http://www.betaoetaipa.pt/

segunda-feira, 23 de março de 2009

6ºSATP_9ºSIACOT

Já está disponível informação sobre o 6.º Seminário de Arquitectura de Terra em Portugal e 9.º Seminário Ibero-Americano de Construção com Terra que se vai realizar de 20 a 23 de Fevereiro de 2010 na Universidade de Coimbra, Portugal.
O evento inclui Seminário, Oficina e Visita a património em terra existente na região
As inscrições no seminário podem ser feitas para 6atp2010@gmail.com.
Para a inscrição na Oficina organizada pelo CdT deverão fazê-lo para info@centrodaterra.org.
Para quem estiver interessado/a em participar com comunicações pode enviar o resumo até 30 de Junho de 2009, os temas dos Paineis são:
1_Arqueologia, Arte e Antropologia
2_Património e Conservação
3_Técnicas, Construção, Investigação e Desenvolvimento
4_Arquitectura Vernácula e Contemporânea

quarta-feira, 18 de março de 2009

1ª Feira das energias renováveis, construção e ambiente sustentáveis_Serpa

A Câmara Municipal de Serpa com o apoio de diversas entidades, entre elas a Associação Centro da Terra, promove nos dias 27, 28 e 29 de Março,
a 1ª Feira das energias renováveis, construção e ambiente sustentáveis,
a ter lugar no pavilhão Multiusos de Serpa.
Aqui fica o programa de workshops e conferências do evento.

Já se encontra disponível em www.cm-serpa.pt o programa da Feira, assim como outras informações relacionadas com a mesma, em permanente actualização.
Mais informações clique nos links: Conferências - Feira Serpa / Programa - Feira Serpa

quarta-feira, 11 de março de 2009

MEDITERRA_13/14/15_Março2009_Itália



Enviado pela Arq. Mariana Correia, membro da comissão organizadora do MEDITERRA 2009, a quem agradecemos, recebemos o programa final do Evento que terá lugar em Cagliari, na bonita região da Sardenha, Itália, de 13 a 16 de Março de 2009.
Da lista de oradores fazem parte intervenções portuguesas que destacamos:
No dia 13
A Patricia Bruno fala sobre o tema "Mudbrick architectures in Low Guadalquivir, on Orientalizant Period. Some reflections around Carambolo settlement (Camas, Spain)"
No mesmo dia a Ana Paula Amendoeira e a Maria Fernandes apresentam "O património Mundial em Terra no Mediterrâneo".
No dia seguinte (14), o Gilberto Carlos e a Mariana Correia apresentam "Topografias Militares, Fortalezas de Terra entre fronteiras".

No dia 15, pela manhã, os engs. Idália Gomes, Jorge de Brito e Mário Lopes falam sobre "Design and strengthening of earth construction in seismic areas".
E por fim, mas não menos importante, pela tarde os arquitectos Susana Sequeira, Maria Fernandes e Miguel Rocha apresentam "Professional training in conservation of rammed earth constructions (Portugal)".
Para a organização, e para todos os participantes no MEDITERRA desejamos um bom Evento, ficando a aguardar fotografias e feedback sobre as conferências.
Para mais informação, visitem o site do MEDITERRA http://people.unica.it/mediterra/
Aqui deixamos o programa final de trabalhos.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Workshop_Advanced Architectural Studio Wet/Dry_USA

Advanced Architectural Studio (Wet/Dry)
N. Wiedemann L. Kimball UT Austin
Rammed Earth Construction of Bench

















Inserido na Disciplina / Workshop “Advanced Architectural Studio (Wet/Dry)”, um grupo de 12 estudantes da Universidade do Texas projectaram e construíram um banco de jardim em taipa, no espaço do pátio do Goldsmith Hall. O objectivo do workshop, para além de introduzir de modo prático a técnica e o material, é explorar e entender a natureza dos materiais em resposta às particularidades da envolvente.

Esta foi uma de três aulas de investigação ministradas por Lou Kimball [BArch. '88] e por Nichole Wiedemann que paralelamente a outros projectos como o The Big Thicket National Preserve e o Nature Conservancy Davis Mountains Project pretendem revelar o impacto que o ambiente pode ter em todos os aspectos do projecto, e em especial nos materiais.
O apoio técnico à construção foi dado por Shane Holt da empresa Terra Castillo Builders, especialistas em construção com terra, e os jovens e orgulhosos taipeiros/construtores foram o Aaron Albright, Greg Arcangeli, David Bowers, David Branch, Sandy Ewen, Jeff Fain, Sam Gelfand, Dan Hernandez, Liz Jackson, Nik Koenig, Albert Palacios e a Marina Stoynova.
E pensar que é possível nas Universidades reduzir as longas e sonolentas aulas teóricas trocando-as por construção prática com materiais naturais como a terra...quem diria...

Todas as fotografias e desenhos no post são da autoria de dlytleb

Mais fotografias que documentam esta aula/workshop de construção são possiveis encontrar aqui.

terça-feira, 3 de março de 2009

Arq_Terra_Exemplos

Here is a significant example of the presence, tradition and modernity of Earth Architecture buldings in the four continents. The diversity of cultures, styles and forms finds a common denominator, earth as primary material. The most interesting in these images, in addition to its beauty, is that jointly they disarm many of the fears and ignorance that are currently the main obstacles to their use.
Good examples lead to good practices

Aqui fica uma mostra significativa e exemplar da presença, tradição e modernidade da Arquitectura de Terra nos quatro continentes. A diversidade de culturas, estilos e formas encontra um denominador comum na terra como material principal.

O interessante destas imagens, para além da sua beleza, é que em conjunto desarmam muitos dos medos e o desconhecimento que são actualmente os principais obstáculos à sua utlização.

Bons exemplos levam a boas práticas