terça-feira, 14 de outubro de 2008

Conferência_Arq Terra Sul_Marrocos


ARQUITECTURAS EM TERRA DO SUL DE MARROCOS: IMPRESSÕES DE UMA (BREVE) VIAGEM
Conferência
por
Vítor Oliveira Jorge*
DCTP-FLUP
Presidente da Direcção da SPAE; Prof. da Faculdade de Letras do Porto

dia 18 de Outubro de 2008, pelas 16,30 horas
Centro Unesco do Porto
R. José Falcão, 100
Entrada livre
*blog: http://trans-ferir.blogspot.com/
E-mail: vojorge@clix.pt

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Tretas_


Crises...

Amigos_Auroville Earth Institute


O Auroville Earth Institute, com sede na Índia, tem como objectivos a Pesquisa, o Desenvolvimento, Promoção e Transferência de tecnologias baseadas na terra.
Tem neste sentido desenvolvido um trabalho de investigação e construção muito produtivo e com tempos recorde na área das construções com Terra, com realce para obras como a cúpula de Dhyanalinga (
PDF) ou a Mesquita Al Medy em Riyadh, na Arábia Saudita.
Com a direcção fundamental do Arquitecto Satprem Maïni (que esteve em Sines em Agosto de 2006 para uma Palestra sobre Construção com Terra Crua e Desenvolvimento) o Auroville Earth Institute tem diversas parcerias com o CRAterre, o ABC Terra no Brasil e com inúmeras ONGs, sendo ainda o representante indiano da Carta da UNESCO "Arquitectura de Terra, Culturas Construtivas e Desenvolvimento Sustentável".

Este post pretende dar a conhecer o seu mais recente trabalho que teve, desta vez, lugar no Nepal.

Aqui fica o mail enviado e que explica o projecto:

Dear Friends,

I just finished with local partners the construction in 16 days of a two-classroom school of 97 m2 in Nepal at Jantanagar. This school is a kind of prototype, as the Nepalese ministry of Education wants to build 50,000 classrooms in the next 5 years. We did this for the need of this community of Jantanagar but also to try convincing the Ministry of Education to adopt our technology.

We had a closing ceremony of the construction site with officials and engineers from the ministry of education on the 2nd October. They were convinced and they will try to get approval from their ministry in the next future.

You may visit with interest some news in our website at
http://www.earth-auroville.com/index.php?nav=menu&pg=unitnews&id1=38

Yours sincerely,

Mr. Satprem Maïni
Architect – Director Auroville Earth Institute
BASIN South Asia – Member
UNESCO Chair Earthen Architecture – Representative for Asia

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Imagens_Texturas_Continuação II



Tenho para aqui falado apaixonadamente sobre construção em terra crua e esqueci-me injustamente de precisar que material é este a que me refiro, e focar as diferenças entre o cru e o cozido.
Busco ajuda nos livros porque é para isso que eles nos servem, neste caso faço referência ao nosso homónimo "Arquitecturas de Terra", um "livro sobre arte"editado no final de 1993, como documento escrito da exposição que andou pelo Mundo, esteve na Gulbenkian e mudou a face da Arquitectura de Terra, da autoria do Arquitecto Jean Dethier, duas grandes referências, o livro e o Arquitecto, e deixo-os falar por mim.

"É pois necessário saber que se trata de dois materiais diferentes, não tanto pela origem como pela sua composição e natureza mas sobretudo pelo processo de transformação. Um e outro são recolhidos na camada superficial do solo; as técnicas de extracção, tradicionais ou actuais, são idênticas.
A terra que se destina a ser cozida é essencialmente composta de argila arenosa, rica em componentes silico-aluminosos, que a cozedura transformará. O fogo produz então no material uma estabilização irreversível. A "terra crua", pelo contrário, é um material composto, uma mistura natural de aglomerados, análoga ao "betão magro" vulgar, sem os elementos finos activos.
Em proporções muito variáveis, os cascalhos, as areias e as argilas constituem a terra crua, apta a ser utilizada na construção.
A grande diversidade das terras (…), resulta de uma multiplicidade, de factores: a natureza dos locais (segundo a latitude), a estrutura da rocha mãe subjacente (granito, calcário, etc.), o clima (pluviometria, ensolamento, altitude, calor, frio, etc.),a hidrologia e até o desenvolvimento local da fauna e flora, o grau de transformação do solo pela acção dos seres humanos (agricultura, obras públicas).

A “terra para construção” é sempre extraída abaixo da camada superficial de terra arável, que tem de ser cuidadosamente levantada. Esta é, com efeito, demasiado rica em matérias orgânicas e em elementos coloidais (húmus)
Instáveis, e ainda demasiado submetida a uma actividade biológica, para poder ser utlizada. É na espessura (variável) da camada estrutural do solo (dissimulada aos nossos olhos pela terra orgânica) rica em componentes estáveis (cascalhos e areias) e muitas vezes “limpa” de argilas, que é recolhida a terra para construção. (…)
A terra crua é fundamentalmente caracterizada pela sua granulometria (natureza e quantidade de agregados), plasticidade (aptidão a ser modelada), compressibilidade (possibilidade de densificação e de redução da porosidade) e coesão (propriedade de ligação dos agregados entre si).



Dethier, Jean, Arquitecturas de Terra, Fundação Calouste Gulbenkian Centro de Arte Moderna J.A. Perdigão, pág. 33, Lisboa, 1993

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Curso de Construção em Taipa_Cabaços_Odemira


Curso de Construção em Taipa, em Cabaços, Odemira
Vai decorrer de 19 a 25 de Outubro 2008, um Curso Teórico e Prático de Construção em Taipa que contempla os seguintes tópicos:

1_Como se encontra a taipa
2_ Analisar a qualidade da taipa
3_ Aditivos para melhorar a taipa
4_Taipa batida, bolos de barro, tijolos de taipa
5_ Rebocar com taipa
6_Chão de taipa e taipa no telhado
7_Particularidade da taipa nas edificações
8_Dar forma artística e cor à taipa
9_Ecológico – reciclavel, reutilizável
10_ Como a taipa liga com material industrial
11_ Experimentar as vantagens de viver numa casa de taipa – saúde, clima,viver em ligação com a natureza

O Curso pretende, para além da Construção em Terra, promover o contacto com a Natureza e o espaço rural alentejano, deixando tempo para passear, praia e lazer.

O Curso contempa ainda a Estadia, Almoços e Jantares com comida vegetariana.
Preço: 210 €

Encontram mais informações no site http://taipa.planetaclix.pt
ou pelo seguinte contacto:

Emmanuel W. Gounden Cabaços, Vale Ferro
Caixa postal 71857630-373 Relíquias/Odemira
Tel: 283 635 106
Fax: 283 635 107
eMail:
gounden@clix.pt


Tretas_pra desligar o cérebro e ligar o Humor



“Todos os animais são iguais. Mas uns são mais iguais que outros...”. A frase é do George Orwell mas o cartoon é do Luís Afonso. Genial.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Diálogos sobre a Terra

Testemunho / Comentário de Porta Paralela:
Olá,
"O mais difícil mesmo é tirar das pessoas os conceitos confortáveis e difusos que lhes foram incutidos durante anos."
Pois agora é que tu disseste tudo !Acredito que passe muito por ai ! E contra mim falo mas realmente é um conceito confortável.
Foi esse sentimento que o tal representante de uma empresa que estava na feira de Oeiras não me retirar.Mas porque razão não consegui ainda mudar a minha opinião ? Bom nestas coisas cada um é como é.
Eu por exemplo gosto de ver e experimentar antes de comprar.
Mesmo tendo-vos aos dois como boas referências, credíveis e de confiança, que não estão a querer vender, de quem normalmente fujo e duvido, mais sim informar e partilhar, a mudança de opinião ainda não aconteceu por causa disso. Da experiência.
Acredito que a vossa formação e profissão vos tenha já proporcionado isso em relação a este tema. Mas como estou afastado do meio não tive ainda essa oportunidade.

Admito que se por exemplo tivesse amigos ou familiares, proprietários de uma construção deste tipo, onde eu pudesse avaliar, ver e como eles partilhar a experiência sobre todos os aspectos, ou ainda que houvesse algum espaço publico que usasse este tipo de solução, onde pudesse "ver e experimentar", sentir a casa em diversas alturas do ano, pudesse mudar a minha opinião.
Sobre a manutenção, tenho a ideia de que mesmo precisando de manutenção, uma casa de tijolo e cimento não deve precisar da mesma manutenção, se calhar mais atenta e cuidada que acredito deve ser necessária na construção em terra. Confirmas este ponto ?
O mesmo acontece com as casas de madeira que necessitam ser cuidadas no seu material para que durem muitos anos."

Resposta de Taipal:
Sem dúvida que em relação à Arquitectura de Terra a experiência muda tudo, arrisco-me a dizer que primeiro estranha-se e depois entranha-se. CUIDADO! A plasticidade e a textura do material vão apaixoná-lo no momento que tomar contacto com ele!!
E realmente não estamos a tentar vender nada, tanto podemos projectar em tijolo, em vidro, como em canas de bambu, apenas queremos passar aquilo que é uma boa ideia, um material com longa história e um enorme potencial, com características únicas.

Não é preciso esconder, tem fraquezas, mas a inteligência e uma contrução integrada podem facilmente fazer delas forças. Quanto à questão que coloca sobre a manutenção, depende se a taipa (neste caso) estiver à vista ou revestida(nunca se deve rebocar com cimento), se se encontra no interior ou no exterior, mas precisa de pouco mais que uma escovagem com escova macia ou uma consolidação anual ou bi anual com consolidante natural (tipo água de cal pulverizada). Conheço no entanto diversos casos onde até hoje nada disto foi feito por nem sequer precisarem.

1_

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Fotos1 e 2_Habitação e Atelier_Cortinhas_São Luís_Odemira
Arq. Alexandre Bastos



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Fotos 3 e 4_Mercado de São Luís_Odemira
Arqtos Teresa Beirão e Alexandre Bastos
Apresento-lhe agora dois casos para reflexão e conversa.
O primeiro é o seguinte, é hoje possivel perceber que o Betão visto no seu início como material SuperHerói e eterno, não o é. As "fibras" metálicas que lhe conferem resistência aos esforços quando oxidam criam graves problemas na estrutura, e isto pode ocorrer entre os 10 e os 50 anos após a construção, tendo por isso um tempo de vida limitado.

Será que todas as pessoas têm a consciência da dificuldade e custos de recuperação da corrosão interna numa estrutura em betão e já agora do consumo de energia estúpido que é necessário para reciclar a mesma?

Uma outra situação;
Uma boa parte dos habitantes da "nova" Aldeia da Luz queixam-se ainda hoje de que para além das "tretas" da EDIA, com os equipamentos prometidos que ainda não foram feitos, da Vila não ser igual, que sentem sobretudo de que as suas casas são frias no Inverno e muito quentes no Verão e que apresentam um grande vazio em relação às antigas habitações.
Aldeia da Luz_2001_foto de Alina Maria Sousa

Aceitando que esse vazio possa também resultar do trauma da deslocalização para um espaço desconhecido, atrevo-me a introduzir o facto das construções antigas contemplarem, técnicas de construção tradicionais como a taipa, com paredes grossas com suficiente inércia térmica, que respiravam e que conferiam às habitações uma alma que o tijolo e o cimento não têm, aspecto fundamental e não previsto por quem projectou e construiu a nova Aldeia da Luz.

domingo, 5 de outubro de 2008

Texto_A Construção com Terra em Portugal

Encontrei aqui há uns tempos este texto/noticia, no decurso das pesquisas constantes pela net no site da voz do operário (http://www.vozoperario.pt/jornal/) e apresento-o agora (com a devida referência e elogio à autora) porque creio que espelha muito bem a realidade actual, as condicionantes e o potencial que a Terra pode ter como material de construção.
Tem como interluctor o Arquitecto Miguel Mendes (ver http://www.mumemo.blogspot.com/) que é já uma referência nestas coisas da Terra.
O texto é uma excelente forma de "Iniciação" e vale bem a leitura.
A construção com terra em Portugal
Escrito por Isabel Carvalho
Segunda, 11 Dezembro 2006
Anciã técnica construtiva responde a novos desafios

Fotos: Arquitecto Miguel Mendes
A construção de edifícios em Portugal, sejam eles para habitação ou para outros fins, continua a não responder de forma cabal às actuais necessidades de isolamento, eficácia energética e conforto, entre muitos mais aspectos. E, isto, apesar de modo comum se dizer que os materiais evoluíram, que as técnicas evoluíram.
Ora, se assim é, porque continuam os nossos edifícios a necessitar ser “climatizados”, ou seja, a ser frios e húmidos no Inverno e verdadeiras salas de sauna no Verão? Porque vamos encontrando aqui e além fundamentadas críticas que nos alertam para a má construção e para a premente necessidade de uma “revolução” na forma de construir em Portugal.
Em boa verdade, em matéria de construção, o período que vivemos é de despertar. Um despertar lento, é certo, mas mesmo assim imprescindível, pois as novas realidades que a este nível se apresentam na nossa sociedade a isso conduzem.
Assim sendo, é frequente ouvir-se falar da diversificação das técnicas de construção como um dado positivo. Mais, é da ainda débil divulgação dessas técnicas que paulatinamente emana, por um lado, o repto às consciências (técnicas e leigas) e, por outro, o seu papel tendencialmente preponderante que arrasta, em certos casos, para o presente um conjunto de antigas soluções construtivas, algumas milenares que, mercê de diversos factores, hoje nos parecem novas.
Os desafios da nossa sociedade actual, em muitos aspectos carente, sobretudo em termos energéticos e de sustentabilidade há muito que vêm acordando preocupações ecológicas neste cadinho, bem como em outros locais do planeta, onde o esbanjamento energético tem sido – continua a ser – uma característica desprezível e preocupante, também ao nível da construção e da arquitectura.
Em nome do bem-estar, do conforto e de mais umas quantas legitimas aspirações humanas, passámos décadas e continuamos, a projectar e a fazer edifícios, que unicamente alimentam toda uma indústria de grandes impactos sobre o ambiente e consumidora de muitos recursos, incluindo água.
Em períodos sucessivos a tendência foi para a eleição de priorados ao nível dos materiais básicos de construção. Primeiro foi o tijolo cozido, depois o cimento, a seguir o betão... E, sempre, em doses inusitadas e com um alto custo energético.
Os dias que vivemos são agora outros e o conhecimento científico e técnico vem dando frutos, desde logo, porque já demonstrou que a factura energética dos edifícios pode ser reduzida em cerca de 25 por cento. Para tanto há apenas que repensar, reformular a nossa arquitectura, a nossa construção.
É pois partindo da ideia de que os edifícios do futuro podem potenciar a redução dos consumos de energia, seja durante a obra, a sua vida útil ou, posteriormente, na sua demolição, que fomos em busca de informação à Associação Centro da Terra (CdT), fundada em Novembro de 2003, para o estudo, documentação e difusão da construção com terra.
Do velho se faz novo...
A terra é, desde tempos remotos, um dos principais materiais de construção usado pelo Homem, pois, se por um lado, estava à mão de semear, por outro, era facilmente conformada e naturalmente seca. Sobre este seu uso, perdido nas dobras do tempo, existem hoje diversos estudos arqueológicos que o atestam, indicando até construções em terra de aproximadamente dez mil anos.
O arqueólogo Cláudio Torres não vai tão longe no tempo, embora no seu artigo “A memória da terra” – in “Arquitectura de terra em Portugal”, editado pela CdT e publicado, faz um ano, pela “Argumentum”, – fale da ancestralidade da construção em terra e da sua chegada à Península Ibérica por volta do século XI, para concluir que “seja seguindo com rigor as velhas tradições, seja experimentando novas técnicas, a construção em terra parece imparável, abrindo perspectivas insuspeitas na economia de meios, na qualidade ambiental e mesmo na variedade e equilíbrio de volumes, tão necessários a uma requalificação da nossa arquitectura” e, claro, por oposição, a uma sociedade de consumo, “em que a eficácia do cimento e a arrogância do betão armado tudo dominam”...
Em boa verdade não é despiciendo pensarmos que, à semelhança do que acontece em outras áreas, a inclusão da construção em terra no contexto actual, onde prevalece a lógica da economia de mercado, pode significar o seu apagamento ou, no mínimo, o risco de ser uma mera solução pontual e de excepção. Talvez por isso, o arquitecto Miguel Mendes, da direcção da CdT, afirme convicto que “a valorização da técnica da construção em terra crua tenha de passar por duas frentes incontornáveis”, como sejam a “da sofisticação e a da modernização da sua execução e do seu desempenho a nível económico”.
Segundo as suas palavras, “a maioria dos problemas que afastam a opção de construir em terra crua deve-se, não às características do material, mas antes à sua fraca divulgação; à ausência de uma estrutura de mercado que ofereça mão-de-obra competente, competitiva e disponibilize informação técnica; à deficiência de enquadramento jurídico e regulamentar a nível legal e, sobretudo, à própria dinâmica intrínseca da técnica construtiva ao nível da execução”.
A construção em terra, como explica, “é basicamente a utilização do material terra, sem transformação, a que chamamos terra crua, por oposição à terra cozida. E, idealmente, tira-se do próprio terreno e constrói-se com ela, utilizando técnicas tradicionais, que em Portugal são três: a taipa de pilão (assim denominada para não haver confusão com os termos usados nos Palop ou no Brasil), o adobe e a taipa de chapada ou sopapo também conhecida por taipa de tabique ou fasquio. Mas hoje em dia, além das actualizações destas técnicas tradicionais, existe uma outra denominada BTC (bloco de terra comprimida), que também se usa entre nós”.
Os argumentos fundamentais empregues na defesa desta técnica têm partido do facto de a terra ser um material abundante e reutilizável, não processado industrialmente e, por comparação com outros materiais, ecológico.
Todavia, para Miguel Mendes falar na construção em terra pode não ser necessariamente falar em eco-construção ou em construção sustentável, pois sublinha: “Muitas construções em terra ficam aquém do vasto universo de desafios a que a eco-construção e a construção sustentável pretendem dar resposta. Ou seja, o simples facto de se construir em terra, apesar de ser um bom ponto de partida, não é garantia de se estar a executar um edifício de cariz realmente ecológico e sustentável. Porém, no âmbito da construção sustentável e da eco-contrução, a terra é um material que tem lugar cativo, pelas suas características, tratamento, aplicação e desempenho – mas isso sempre com complemento de outras preocupações, opções de projecto e questões técnicas e éticas”.
O seu uso pressupõe economia de meios, de recursos, de material, de tempo e, portanto, como realça, “não polui e não tem aquilo a que se chama energia intrínseca, que é a energia dispendida por uma material no seu fabrico, mas também na extracção da matéria-prima, na sua transformação, no transporte do material fabricado, no circuito de revenda (em termos energéticos, claro) até chegar a uma obra, na sua aplicação em obra, no seu rendimento ao longo da vida, até aos trabalhos para a sua demolição e, inclusivamente, no seu processo de decomposição ou de reutilização”.
Com este quadro, não é difícil de inferir a pouca receptividade que uma tal técnica poderá ter ao nível dos grandes construtores nacionais, com cujos interesses, obviamente, colide. Porém, na perspectiva do arquitecto, no que diz respeito à aplicação da técnica nos dias que correm, a CdT e os seus associados “já conseguiram colocar a santa no altar, embora ainda se esteja no adro da Igreja”, o que significa que há um longo caminho a percorrer e ainda muito trabalho a fazer, apesar dos passos já concretizados lhe terem dado alguma visibilidade.
Da visibilidade à desmistificação e ao futuro...
Para o arquitecto, a construção em terra crua tem futuro em Portugal e o trabalho concretizado demonstra-o. É certo que tem sido importante desmistificar um conjunto de ideias feitas ou de preconceitos inerentes à terra, desde logo o do desconforto e o da durabilidade. Este, um mito facilmente abalado pelos testemunhos existentes no mundo e em Portugal, como é o caso do “Castelo de Paderne, do século XII, que ainda lá está, à chuva e ao vento, todo em taipa”.
Seja como for, a projecção da construção em terra no futuro depende, como defende Miguel Mendes, “do desenvolvimento tecnológico e técnico” em moldes que permitam “a massificação da construção em terra, ou seja, o seu enquadramento no contexto actual da standartização”. Esta, uma posição que, o arquitecto reconhece, ainda não gerar consensos, ao afirmar que “a construção em terra crua está ainda associada a um certo apego excessivo à tradição, pelo que a standartização é vista como um sintoma de industrialização, o que lhe retiraria uma grande parte do seu interesse, sobretudo, a nível económico”.
Para o nosso interlocutor, um dos aspectos mais interessantes da construção em terra é que, no final, “se a obra sai ao preço de uma construção convencional é porque se gastou menos dinheiro em material e um pouco mais em mão-de-obra, o que dinamiza as economias locais. Ora, se fosse completamente industrializada, perderia este lado interessante. A sofisticação da técnica e da fabricação, como há casos em outros países, não desvirtuam, contudo, o uso da terra enquanto material, mas permitem outro tipo de utilizações e abordagens”.
Depreende-se assim que a terra crua é resistente e o seu uso como material de construção pode ter custos mais baixos, similares ou mais elevados que a construção convencional. As razões desta variabilidade são muitas, as principais parecem depender do profissionalismo de quem projecta, coordena e executa a obra, pelo menos, estes foram os elementos que retivemos das palavras do arquitecto quando falou da qualidade do produto final, das capacidades do gestor de projecto, da boa concepção do projecto para ser construído em terra e da sua pormenorização ou ainda quando advertiu para o facto de tanto o cliente como o projectista não caírem na tentação de “dar passos maiores que as pernas que têm”.
A terra, conforme Miguel Mendes, é um material que pode ser gratuito, todavia, obriga a custos acrescidos com a mão-de-obra. Logo, sublinha, “cada pequena sofisticação, cada requinte pesa a dobrar, porque não é o mesmo que realizar uma sofisticação em betão. Dando um exemplo prático e simples, imaginemos a construção de uma sala em taipa. Supondo que ela tem 4,50 metros e o meu taipal 1,50 metros, faço três taipais e passo para o bloco de cima. Mas, se eu projectar a sala com 4,70 metros, faço três taipais e sobram-me 20 centímetros. Ou seja, preciso de um taipal feito em rampa, que dá muito mais trabalho, para encher esses 20 centímetros. Desta feita, vou demorar/precisar de mais tempo, mão-de-obra e trabalho. Este é um exemplo básico que mostra como este tipo de pormenores podem mudar todo o planeamento, daí que seja preciso saber-se muito bem com o que se está a lidar”.
Apesar deste discurso o nosso interlocutor considera ser possível “com um controlo económico rigoroso, com uma boa racionalização de projecto e um bom plano de trabalho” fazer uma casa mais barata que na construção convencional, porém, sublinha: “É sem dúvida possível e bastante frequente fazê-la pelo mesmo preço. E, é perigosamente possível fazê-la por um preço muito mais alto, caso o processo não seja conduzido e executado por intervenientes capacitados para tal, nomeadamente através de uma boa gestão de projecto e obra, como se disse antes”.
Pela promoção do “novo”...
Depois de desmistificar, depois de acabar com os equívocos e as confusões relativas à construção em terra, Miguel Mendes defende a necessidade de lhe “baixar o nariz”, que é como quem diz, de assentar ideias e conhecimentos.
Para o arquitecto trabalhar com terra não é o mesmo que trabalhar com outros materiais, desde logo, porque “a terra não se comporta como os materiais industriais. Isto é, estamos a lidar com um material praticamente vivo, aliás se cavar aqui tenho uma terra se cavar noutro local tenho outra diferente. Por vezes, mesmo no próprio terreno de intervenção, a terra altera-se no espaço de alguns metros, ou apenas pelo facto de ser extraída a profundidades diferentes, num mesmo ponto. Portanto, trabalhar com terra não é um dado adquirido é algo que se vai aperfeiçoando”.
De qualquer modo, releva que a intenção é “tornar a construção em terra numa coisa vulgar, que não seja nem obtusa nem elitista. A terra deveria pois ser encarada, – independentemente de todas as mais valias mesmo as ecológicas e ambientais – simplesmente, como um material de construção. É um facto que a terra é um material extraordinário, mas não é infalível nem boa para tudo, porque tem limites. E, em algumas propriedades específicas tem limites bem mais próximos que os do betão e, isso, é uma das coisas que leva a que a construção em terra não seja tão frequentemente proposta pelos arquitectos”.
Em conclusão: “A terra é um material abundante, com inúmeras características ecológica, começando pelo simples facto de estar no local da obra e ser completamente reciclável. Tanto, que posso destruir uma casa de terra e construir outra com a mesma terra... Depois, é um material que não sendo o melhor em termos de desempenhos pontuais de qualquer umas das solicitações a que está sujeita, acaba por ser o melhor no cumprimento cumulativo de todas as solicitações. Ou seja, não é o melhor isolante do mundo, nem o melhor resistente à compressão, etc., etc., mas é dos únicos materiais que reúne todas essas condições e que desempenha todas as tarefas de forma muito satisfatória ao mesmo tempo. Portanto, acho que é um material com muito, muito futuro, embora seja também um material a saber domar. A sua técnica tem muitas nuances mas não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. E, como se costuma dizer nos meandros da construção em terra, ao contrário daquela frase feita em que o 'segredo é a alma do negócio', neste caso, a alma é o segredo do negócio, porque é fazendo com a alma, com muito empenho e dedicação, que tudo funciona”.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Diálogos sobre a Terra_Resposta_Comentários

Testemunho / Comentário de Porta Paralela:
"Tenho de confessar uma coisa, ao ver estas fotos só me vem à ideia de que quando chove estas paredes se vão desfazer todas com a agua.
Uma vez numa feira alternativa que teve lugar em Oeiras, estive à conversa com um responsável por uma empresa que faz construção deste tipo.
E por muito que ele me garantisse que tal não acontecia, não sai de lá convencido.
Uma situação muito à semelhança das casas de madeira. Neste tipo de construção (que me cativa bastante, mesmo tendo em conta a manutenção exigida - vejam o exemplo de degradação de alguns Bungalows da Serra da Estrela) existe uma garantia de resistência ao fogo que em muito excede o recomendado/Lei exige.
Mas no entanto fico sempre de pé atrás em relação à sua real eficácia. E não vamos querer comprar primeiro e ver se realmente funciona depois.
Tanto mais que a ideia seria a de construí-la em plena Zona do Pinhal/Beira Baixa... "
Porta Paralela

Resposta de Taipal:
Amigo "Paralela",
a questão que coloca da manutenção é um aspecto que está verdadeiramente no cerne do modus vivendi associado à construção com terra (e isto não tem nada que ver com filosofias alternativas).
A manutenção existe, é necessária, como em todas as construções aliás, e introduz uma relação com o habitar e com o acto de estimar a nossa casa que vai muito para além do material ser terra, ferro ou plástico.
A manutenção é o que garante a continuidade e por isso é importante, e no caso da terra nem sequer é dispendiosa.

A questão que importa colocar é se a terra é um material eficaz no global das exigências que consideramos importantes numa construção para viver, o conforto térmico, acústico, o desempenho estrutural, a resistência ao fogo, a perspectiva plástica, entre outras.
Na verdade, não sendo o melhor material em todas elas, é sem dúvida o que responde melhor na globalidade, e pode ser melhorado com adição de outros materiais. É um material vivo, heterogéneo e fácil de se encontrar.
O mais difícil mesmo é tirar das pessoas os conceitos confortáveis e difusos que lhes foram incutidos durante anos.
A ideia de que "é pobre", e "suja muito" ou "desfaz-se toda", são imagens feitas criadas pela "concorrência" que distorcem a realidade do que é ver, sentir ou viver num espaço construído em terra.
E a verdade é que quase todos já o fizeram, cerca de 80% das construções por todo o Alentejo e algum Ribatejo (até em Aveiro) são construções em taipa ou adobe, obviamente muitas delas revestidas. Muitos dos palacetes em França, que associamos à Nobreza, são em taipa, alguns dos projectos do conhecido Arquitecto Frank Lloyd Wright contemplam estruturas com Terra.
Posso dar-lhe muitos e bons exemplos que no entanto não se comparam à experiência de desfrutar de um espaço abobadado de paredes grossas e quentes.
Quanto ao receio de construir acima da linha do Tejo, por ser mais frio ou chuvoso, encontra construções com utilização de terra na Alemanha, Áustria, França ou mesmo Suiça.
Tudo Países ricos e com clima rigoroso!
Estamos a falar de tecnologias recentes adaptadas a um material “sábio”, e é esse o caminho, temos de deixar de olhar o futuro com o medo dos modos de construir de antigamente, que sendo extraordinariamente inteligentes, se tornam mais onerosos.

A temática da terra é neste sentido muito vasta e a opção de construir com qualidade resultará sempre do facto da pessoa estar a par das vantagens e desvantagens, como qualquer outro material.
Não é concorrência directa aos outros materiais, é apenas uma abordagem diferente.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Livros_Arquitectura de Terra

Um dos aspectos mais importantes na divulgação e promoção da Arquitectura de Terra passa necessariamente pela publicação de estudos, opiniões, bons exemplos, trabalhos práticos e de investigação.

É hoje possível encontrar na net, nas livrarias e alfarrabistas portugueses um universo amplo de literatura referente à temática da Construção com Terra por todo o Mundo.

Em Portugal, a editora Argumentum em colaboração com a Associação Centro da Terra e a Escola Superior Gallaecia em Vila Nova de Cerveira, desenvolvem há alguns anos um trabalho consistente e aprofundado nesta matéria.

Após a feliz e fundamental publicação do livro "Arquitectura de Terra em Portugal" em Outubro de 2005, têm sido publicados diversos textos, conferências, projectos de investigação e dissertações de Mestrado que muito têm contribuído para mostrar a Arquitectura de Terra ao público em geral. Falaremos mais sobre eles em próximos posts.

Para quem procura algum título em particular aqui ficam os contactos e a referência de algumas das principais publicações:
Associação Centro da Terra
Editora Argumentum
Escola Superior Gallaecia
"Arquitectura de Terra em Portugal"
(coordenação da edição: Maria Fernandes e Mariana Correia).
Edição: Editora Argumentum. Lisboa, Outubro 2005.
300 páginas com 250 ilustrações. 54 autores reunidos pela Associação Centro da Terra.
Livro bilingue em português e inglês.
Preço: 50 euros.
"Terra em Seminário"
(coordenação da edição: Mariana Correia, Maria Fernandes e Filipe Jorge).
Edição: Editora Argumentum e Escola Superior Gallaecia.Lisboa, Outubro 2005.
288 páginas a duas cores.
Colectânea de 75 comunicações apresentadas no "IV Seminário Ibero-Americano de Construção com Terra" e "III Seminário de Arquitectura de Terra em Portugal".
Artigos de 130 autores de 22 países, em Português, Espanhol e Italiano.Preço: 20 euros


"Houses and Cities built with Earth: conservation, significance and urban quality"
(coordenação da edição: Maddalena Achenza, Mariana Correia, Marco Cadimu e Amadeo Serra)
Edição: Editora Argumentum com o Apoio da União Europeia, no âmbito do programa Cultura 2000.Lisboa, Junho 2006.
160 páginas a duas cores.
Contribuições realizadas por meio de seis sessões de trabalho, em Itália, Portugal, Espanha e Marrocos.Artigos de 46 autores de 22 países, em Português, Espanhol e Italiano, Francês, Inglês e Hungaro.
Preço: Oferecido, na compra dos outros 3 livros.

"Terra: Forma de Construir .Arquitectura. Antropologia. Arqueologia"

(coordenação da edição: Mariana Correia e Vítor Oliveira Jorge)
Edição: Editora Argumentum e Escola Superior Gallaecia.Lisboa, Outubro 2006.
144 páginas a duas cores. Contribuições realizadas por meio da 10ª Mesa Redonda de Primavera".

Colectânea de 20 comunicações em Português, Espanhol e Francês.
Preço: 20 euros.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Passeios Pedestres, Paisagem e Arquitectura

Ora aí está uma forma ECOLÓGICA e SAUDÁVEL de conhecer a PAISAGEM e a Arquitectura de TERRA do LITORAL ALENTEJANO!!


A autarquia de Odemira apresentou três novos percursos pedestres, durante a feira de Turismo que decorreu entre 21 e 23 de Março em Vila Nova de Mil Fontes.
Os novos percursos (criados de acordo com as normas definidas pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal) englobam a conhecer a zona costeira da freguesia de Longueira/Almograve, a Serra de S. Domingos e o vale do Rio Mira, na zona de Troviscais, na freguesia de S. Luís.

Os trilhos estão marcados no terreno, com sinalética própria e foram elaborados folhetos promocionais e painéis com a descrição dos mesmos.



O primeiro percurso intitula-se “Lapa de Pombas” e desenvolve-se em 8,9 km, na zona costeira da freguesia de Longueira/Almograve, entre a localidade de Almograve, a praia e o Porto de Pesca de Lapa de Pombas, em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. O percurso tem um grau de dificuldade baixo e uma duração aproximada de três horas e meia, sendo o piso em terra batida, asfalto e trilho nas dunas. A temática incide sobre as formações dunares e rochosas (nota para as deformações a que foram sujeitas as rochas do Paleozóico, com mais de 300 milhões de anos).


S. Domingos” é o nome do Percurso 2 de Odemira, na freguesia de S. Luís, com destaque para as temáticas serra e arquitectura tradicional. A primeira parte do percurso é urbana e oferece a possibilidade de observar a arquitectura tradicional em taipa. Ao longo do caminho nota-se a presença de exemplares da flora típica da região, como o medronheiro, a esteva, o rosmaninho, a carqueja, a urze e o tojo. A serra de S. Domingos proporciona uma vista magnífica sobre toda a área circundante, sendo possível avistar Vila Nova de Milfontes, Sines, Odemira e outras povoações em redor. Este é também um local de eleição para observar a avifauna: andorinha das rochas, melro-azul e águia de asa redonda. Com grau de dificuldade médio, o percurso tem uma duração aproximada de duas horas e uma distância de 8,1 km, em piso de asfalto e terra batida.



O Percurso 3 de Odemira chama-se “Troviscais”, também na freguesia de S. Luís. O percurso inicia-se na localidade de Troviscais e tem como temática o Rio Mira e o montado. É bem visível a arquitectura em terra e o património industrial rural, relacionado com a pesca artesanal no rio e os moinhos de maré. No património natural destaca-se o Rio Mira e toda a diversidade de fauna e flora que ele engloba. O grau de dificuldade é médio e o percurso tem uma duração aproximada de quatro horas, numa distância de 13,5 km, sempre em terra batida.

Boas Caminhadas!!!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Formação Taipa_Taliscas_Outubro


Terminada com sucesso a formação que decorreu entre Agosto e Setembro de 2008, a Matriz encontra-se já a organizar aquela que será a 7ª acção de formação realizada no Polo de Actividade das Taliscas.
"Conservação e Recuperação de Construção em Taipa" 3ª edição

Ao longo das duas edições anteriores têm-se vindo a intervir numa ruína localizada a cerca de 1km da Escola das Taliscas.
Nesta próxima formação pretende dar-se continuidade aos trabalhos de recuperação já iniciados, complementados com uma sólida componente teórica e exemplificativa.
O programa da formação, mantendo a sua linha condutora inicial apoiada por um manual técnico de informação, tem vindo a ser adaptado consoante o perfil da equipa de participantes.

Se na 1ª edição a equipa era composta maioritariamente por construtores e operários da construção civil, o mesmo não aconteceu na segunda, onde a participação foi variada e reunir desde arquitectos, engenheiros, gestores e, finalmente, construtores.
A formação decorrerá entre 6ª e domingo das 3ª e 4ª semanas de Outubro entre as 9.30h e as 17h com 1.30h para almoço.
As inscrições estão abertas até ao dia 10 de Outubro com o número máximo de 12 participantes. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *susana sequeira Matriz, adl Odemira



terça-feira, 16 de setembro de 2008

Imagens_Texturas_Terra_Continuação

A beleza plástica e texturada que a terra possui é lhe conferida pelas diferentes percentagens dos seus constituintes (gasosos, liquidos e sólidos), com ou sem estabilização (cal, cimento, etc), e as características específicas dadas por esses componentes, de que resulta uma infinidade de tipos de terra com uma variação de características infinita!

Falarmos de beleza na caracterização da terra pode trazer consigo perigos pela sua relatividade pouco científica, mas aceitemos à partida que o conceito de Belo implica uma afeição, e que esta, sendo subjectiva, utiliza critérios plásticos e sensoriais tão importantes como o rigor físico e químico que explicam todos os materiais de construção.













quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Formação Taipa_Taliscas

Aqui ficam algumas fotografias da Acção de formação sobre "Conservação e Recuperação de Construções em Terra" que decorreu em Taliscas.





























quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Adobe_Idanha-a-Nova

Casas em adobe, Ladoeiro (Idanha-a-Nova), 2008







Imagens retiradas do blog http://casadasbestas.blogspot.com/2008/03/arquitecturas-de-terra.html
(ver texto)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Amigos_Escola de Taliscas_Matriz adl

Existem Associações locais que merecem por inúmeras razões ser divulgadas.
Porque são pólos activos no domínio da promoção cultural e artística, na criação de oportunidades criativas, mas sobretudo pela natureza humana das suas intervenções, no contacto de proximidade com as tradições e a população.

A Associação Matriz adl com sede em Odemira e casa na aldeia de Taliscas, é sem sombra de dúvida uma destas Associações.
Odemira é hoje um concelho muito espalhado em termos de população, com carências de serviços e de oferta cultural. Daí a importância da Matriz como base de encontro e aproximação do património imenso que Odemira e o Sudoeste Alentejano contêem.

Não são apenas as praias fantásticas e a paisagem protegida, a gastronomia ou doçaria, são as pessoas e as tradições (acções vivas que as diferenciam) que merecem ser conhecidas e divulgadas, este é principal trabalho da associação Matriz.
E porque importantes são as pessoas que a constroem, todos os dias, um abraço ao amigo Raul Almeida, um homem apaixonado pela região e conhecedor das histórias do concelho, à Arquitecta Susana Sequeira, que se dedica e organiza as formações e também o pequeno Gaspar que com os seus "amigos" brinquedos anima o futuro da associação.

Cabe-nos as nós,
amadores e aprendizes das Arquitecturas de Terra,
contribuir e saudar o trabalho desenvolvido por estes "alemtejanos".

O blog da associação com notícias sobre as actividades é o

http://www.matriz-adl.blogspot.com/

Quanto a Novidades fresquinhas, teve início no dia 29 de Agosto e vai prolongar-se nos dias 6, 7 até dia 8 de Setembro uma acção de formação sobre "Conservação e Recuperação de Construções em Terra".



A associação convida todos os que estiverem interessados se quiserem assistir à finalização dos trabalhos a passarem pelo

Polo de Actividades das Taliscas (antiga Escola Primária).

A intervenção prática de recuperação centra-se numa ruína próximo da escola e consiste grosso modo no preenchimento de lacunas, execução de socos, argamassas, rebocos e taipa) .

Como estas formações têm tido muita procura, está já prevista para Outubro uma nova edição.