Mostrar mensagens com a etiqueta FOTOGRAFIAS_photos_foto_fotos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FOTOGRAFIAS_photos_foto_fotos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Oficina de Construção com Terra_CdT_Preparação



Porque temos uns amigos infiltrados muito bem relacionados junto da organização da Oficina de Construção com Terra, que se vai realizar em Santiago do Cacém já nos dias 26 e 27 de Junho, conseguimos umas fotografias inéditas da preparação e montagem da mesma e que aqui mostramos para aguçar a vontade de quem vai participar e divulgar a quem ainda não ouviu falar.


Local de recreio da Escola onde decorrerá a Oficina



Ensaios preliminares com diferentes tipos de terra



Assim sendo, ficam desde já TODOS convidados a passar pela Escola Primária da Cova do Gato na Freguesia de Abela (ver mapa aqui), mesmo aqueles que não vão pôr as mãos na terra, para ficarem a conhecer o trabalho desenvolvido durante a Oficina, e no caso de aparecerem no Sábado à tarde, participarem num convívio com habitantes da zona que noutros tempos fizeram construção em taipa e que assistiram a obras com terra no Concelho.
Apareçam! Venham passear pelo Alentejo e conhecer o que é a Construção com Terra!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Arq_Terra_Odeceixe_Arq. Henrique Schreck


Cabo Sardão, Costa Vicentina

Visitámos há umas semanas, na companhia do Arq. Henrique Schreck, uma das suas mais recentes obras, uma pequena e simpática moradia de férias próximo de Odeceixe, para um jovem casal com duas crianças, que vive e trabalha na zona de Lisboa.
Foi para nós uma agradável surpresa, primeiro porque não conheciamos ainda Odeceixe e esta zona sul do Litoral Alentejano, mas sobretudo, e em relação à moradia visitada, pela simpatia com que fomos recebidos pelos donos da casa, pela beleza simples dos espaços construídos e a utilização inteligente dos materiais locais.
Voltámos para Lisboa com uma vontade enorme de regressar e colher mais da experiência de construção em taipa e adobe e dos ensinamentos sobre estas técnicas.
Deixamos aqui algumas fotografias da nossa visita.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Schlins, Austria


Fotografia da Habitação em Schlins, Austria
Autoria de Martin Rauch e Roger Boltshauser (direitos da imagem)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Workshop_Advanced Architectural Studio Wet/Dry_USA

Advanced Architectural Studio (Wet/Dry)
N. Wiedemann L. Kimball UT Austin
Rammed Earth Construction of Bench

















Inserido na Disciplina / Workshop “Advanced Architectural Studio (Wet/Dry)”, um grupo de 12 estudantes da Universidade do Texas projectaram e construíram um banco de jardim em taipa, no espaço do pátio do Goldsmith Hall. O objectivo do workshop, para além de introduzir de modo prático a técnica e o material, é explorar e entender a natureza dos materiais em resposta às particularidades da envolvente.

Esta foi uma de três aulas de investigação ministradas por Lou Kimball [BArch. '88] e por Nichole Wiedemann que paralelamente a outros projectos como o The Big Thicket National Preserve e o Nature Conservancy Davis Mountains Project pretendem revelar o impacto que o ambiente pode ter em todos os aspectos do projecto, e em especial nos materiais.
O apoio técnico à construção foi dado por Shane Holt da empresa Terra Castillo Builders, especialistas em construção com terra, e os jovens e orgulhosos taipeiros/construtores foram o Aaron Albright, Greg Arcangeli, David Bowers, David Branch, Sandy Ewen, Jeff Fain, Sam Gelfand, Dan Hernandez, Liz Jackson, Nik Koenig, Albert Palacios e a Marina Stoynova.
E pensar que é possível nas Universidades reduzir as longas e sonolentas aulas teóricas trocando-as por construção prática com materiais naturais como a terra...quem diria...

Todas as fotografias e desenhos no post são da autoria de dlytleb

Mais fotografias que documentam esta aula/workshop de construção são possiveis encontrar aqui.

terça-feira, 3 de março de 2009

Arq_Terra_Exemplos

Here is a significant example of the presence, tradition and modernity of Earth Architecture buldings in the four continents. The diversity of cultures, styles and forms finds a common denominator, earth as primary material. The most interesting in these images, in addition to its beauty, is that jointly they disarm many of the fears and ignorance that are currently the main obstacles to their use.
Good examples lead to good practices

Aqui fica uma mostra significativa e exemplar da presença, tradição e modernidade da Arquitectura de Terra nos quatro continentes. A diversidade de culturas, estilos e formas encontra um denominador comum na terra como material principal.

O interessante destas imagens, para além da sua beleza, é que em conjunto desarmam muitos dos medos e o desconhecimento que são actualmente os principais obstáculos à sua utlização.

Bons exemplos levam a boas práticas



terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Arq_Terra_Vigilius Mountain Resort_Merano_Itália


San Vigilio, near Merano, stand along the Valle dell’Adige 1500 metres above sea level. Nowadays Vigilius Mountain Resort, an extension to the old Vigiljoch Hotel, can still only be reached by cable car or on foot, just one special feature of the special way it interacts with surrounding nature.
This long construction, which runs from north to south with two floors above ground and a basement, gently follows the contours of the mountainside.
Reinterpreting traditional local wooden constructions, it is made of stone, wood, rammed earth and glass.
Only the basement areas are made of reinforced concrete.
In each room, all facing east or west, rammed earth walls separate the sleeping quarters from the bathroom.
But that is not all: they absorb and then give off heat in winter and coolness in summer.
The accessible landscaped roof helps prevent overheating while the large glass windows exploit solar energy, adjustable shutters on the façade control the mount of shade.
Class A architecture, won the WWF’s Golden Panda Award in 2006 and
the Legaambiente/Lombardy Region Award in 2006.


Client: Private Owner
Location: Lana - Merano
Country: Italy
Intervention Type: Architecture, interior design, styling, corporate identity
Project Manager Architecture: Bruno Franchid, Matteo Thun
Interior design: Michael Catoir
Team Architects: Christine Arnhard, Gioia Gaio, Renato Precoma, Christina Von Berg
Interior designers: Ulrich Pfannschmidt
Light designer: Simone Fumagalli
Stylist: Gunhild Breloh
Graphic designer: Dorothee Maier
Start Date: 2001
End Date: 2003
Total Building Area:11.500 m2
Building Use: 5-star Hotel and spa resort
Room Type: 35 rooms, 6 suites
Public Areas: Lounge, conference rooms, show room and self service for 300 people
San Vigilio, perto de Merano, localiza-se ao longo do Valle dell'Adige, 1500 metros acima do nível do mar.
Em 1913, foi construído um dos primeiros teleféricos do mundo para chegar a San Vigilio.
Actualmente o Vigilius Mountain Resort, uma extensão do antigo Vigiljoch Hotel, pode apenas ser alcançado por teleférico ou a pé, apenas uma característica especial da forma como ele interage com a natureza circundante. Esta longa construção, que segue de norte a sul com dois pisos acima do solo e uma cave, segue suavemente os contornos da encosta. Em torno uma rede de percursos reforça a ligação entre o edifício e a topografia da envolvente. Reinterpretando as tradicionais construções locais em madeira, o edifício é construído em pedra, madeira, terra e vidro. Apenas as áreas em cave são feitas em betão armado reforçado.

Partindo do foyer de entrada e passando pelo salão, biblioteca e dois restaurantes (um deles com o uso de madeira retirada de um antigo chalé de montanha), o Resort estende-se ao longo de dois níveis numa sequência de quartos (41 no total, incluindo 6 suites) alternando de modo dinâmico com os espaços exteriores.
No extremo sul do empreendimento encontra-se um SPA ao longo de três níveis e uma piscina, passando por um jardim interior plantado com árvores lariços que formam um autêntico fragmento da região florestal integrada no Arquitectura.
Em cada quarto, todos virados para Leste ou Oeste, robustas paredes em taipa/rammed earth terra battuta separam a zona de dormir da casa de banho. Elas têm por objectivo absorver e libertar calor no Inverno, mantendo-se frescas no período de Verão.

O desenho do telhado acessível ajuda a evitar o sobreaquecimento, enquanto as grandes janelas de vidro exploram da melhor forma a energia solar e as persianas ajustáveis sobre a fachada controlam o emsombramento. Tudo é devidamente detalhado, o controlo da ventilação com recolha de calor e a utilização de painéis radiantes nos interiores, bem como o aquecimento por biomassa que permite para ajudar os agricultores locais e salvaguardar as florestas envolventes, com a utilização de madeira de baixa qualidade como fonte de energia na forma de pellets.
Vigilius Mountain Resort é assim uma suave e elegante estância turística abrangendo um total de 1400 metros quadrados, um luxuoso edifício em harmonia com a paisagem, que propícia uma mistura de bem-estar e sofisticação para os utilizadores, e uma proposta sustentável para o ambiente.


Classe A de Arquitetura, o Vigilius Mountain Resort ganhou entre outros o WWF's Golden Panda Award e o Legaambiente / Região Lombardia Prêmio, ambos em 2006.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Rammed Earth_With a veneer of science_David Oliver


Rammed Earth - with a veneer of science
David Oliver, an australian architect from Queensland has spent a significant part of his professional life applying science to the simplicity of rammed earth construction. He is now recognised as a world leader in rammed earth technology and a significant driving force behind environmentally sustainable design in Australia. Along the way, David, who is based at Mooloolaba, on Queensland's Sunshine coast, has lifted the standing of the still-simple rammed earth technique to the same level as other 'conventional' construction methods.
David is the principal of his own architectural firm and its companion consultancy which is the vehicle for his pioneering technical work in rammed earth construction. He believes rammed earth will become ever more widely accepted and used over the next decade as more people become aware of it, and as the relative cost of other building materials increases - something he believes is inevitable.
"I believe rammed earth construction will become accepted as standard throughout Australia, with sub-contractors and builders who will specialise in the technique."


"There are already more than a dozen contractors around Australia specialising in rammed earth construction."
"Rammed earth has significant environmental and aesthetic appeal, and construction costs are comparable to the cost of building in cavity brick. It also has very good thermal modulation and acoustic insulation properties."
"The aesthetic appeal is very strong because rammed earth construction reflects, without interpretation, the natural colours of the locality."
"The colours of rammed earth buildings vary from district to district, depending on the colours of the materials available in the local area."
"Perhaps the strongest environmental benefit from rammed earth construction is that there is no firing involved, as there is with brick and cement, so the product is very low in embodied energy.
"I expect the cost-balance to change to significantly favour rammed earth construction over the next ten years, as the cost of energy increases and carbon and energy taxes are imposed."
Rammed earth was relatively labour intensive - about 60 percent of the cost of rammed earth construction is labour, David said. A wall can be constructed at about the rate a tradesperson could lay a brick wall.
David attributes his initial interest in earth construction techniques to 'romanticism'. "I was of the 60's generation, which was strong on idealism, and as an architect imbued with a good measure of idealism, earth construction appealed.

"My interest developed long ago before 'sustainability' became an issue."
When he started investigating the potential of earth construction, it soon became apparent that, largely because of the labour requirement of many forms of earth construction, rammed earth was the only commercial option in the Australian context, and since the 1980s, David and his associates have concentrated on rammed earth techniques.
"Initially I started designing for rammed earth construction and trying to get other people to construct the buildings, but that proved very difficult so we decided to learn how to do it ourselves. That also proved difficult. We found there was a global lack of knowledge about what made one building successful - that is, structurally sound - and another not. We could identify the problems but no-one seemed to know the answers."
In 1985, David travelled through the western provinces of China to learn more about the traditional earth construction methods used there and the following year he gained a Churchill Fellowship which enabled him to visit France, Germany, Britain and south-west USA to learn first-hand about the earth building techniques used in those countries.


"Some of the rammed earth buildings I saw in France were stately homes and mansions which have stood for more than 300 years. Rammed earth was used in France in the mid 17th century where suitable raw material was available and many of those buildings are still in use and still recognised as outstanding examples of the architecture of the period. On that study tour, I found that Australians knew as much as there was known about what was involved in successful rammed earth construction. We were then, and still are, at the cutting edge of modern earth building".
David's focus on rammed earth led eventually to technical definitions of the 'mix' of ingredients necessary for reliable construction; a development which he sees as the key to the potential of rammed earth as a modern construction material. "We set out to work out why some mixes worked and others didn't, and the end result is a physical and chemical definition of the necessary mix characteristics based on standard engineering analyses".
He is also involved in the final stages of trialling additives which will stabilise clays -an essential ingredient of the rammed earth 'mix' - and so prevent degradation of rammed earth construction by water. "Too much water can, in some instances, destabilise the clay particles and break down the mechanical bond formed between the particles. We have identified and patented additives which prevent that."
David believes identification of the additives, and definition of the physical and chemical characteristics of the construction mix, are the two biggest steps forward in the technical development of modern rammed earth construction: "We have taken the guess work out of the process. We are still using the traditional methods - compacting earthen material between forms which determine the shape of the construction - but in the past, determining the material to be used was a matter of trial and error or traditional experience. We realised very early on that to work in the modern context, with formal engineering and structural specifications to meet, we needed to be absolutely certain that we could produce consistent, high-quality results every time, building after building, no matter where they were located.
"If rammed earth was to be accepted as a modern building technology, it needed to be applicable to all areas and had to be able to be analysed and understood so engineering tests could be undertaken. At the same time, we wanted to use local material. Knowledge of the essential physical and chemical characteristics of successful rammed earth mixes enables us to develop a technical description of the ideal mix, and we are able to blend local materials to produce mixes with those characteristics."
Access to that information was now available through David's consultancy service for architects, engineers and builders interested in working in rammed earth, David said.
"Using our knowledge of the characteristics required, we are able to combine local materials, usually from several quarries, to achieve a mix with the necessary physical and chemical properties.
The materials included in a mix, and the proportions to be used, were determined on the basis of standard engineering tests of physical and chemical characteristics, said David. "Once we have worked out the mix, construction is a simple matter of dampening and compaction, as has been done for centuries, although we use modern technology for the compaction and do use one or two additives. We add a very small proportion of cement - about five percent by weight - to maximise erosion resistance, and the new additive to prevent bio-degradation as a result of excess moisture will become a standard part of the mix."


"The mix consultancy is done long-distance, in much the same way as a soil test. The builder or the consultant identifies a source of material he or she thinks might be suitable and sends our company a sample. We do an analysis and if something is lacking, we tell them what else to look for. Alternatively, they might send us several potential ingredients and we analyse the raw materials and develop the mix that way. Once we have all the components, we calculate the proportions and after that it is up to them."
"The construction technique is very simple. The key to success, and the soundness of the building, lies in the mix used."
With the technical side under control, David and his associates set out to promote awareness and appreciation of rammed earth construction through its use in prestige buildings. "We formed a construction company specialising in rammed earth techniques and set about winning a major project to boost its profile. We needed to show that rammed earth was good structurally and, from a design perspective, complied with current design and technical requirements, and was cost effective. We reasoned that a major project would increase public awareness of rammed earth and we would see a 'trickle-down' effect, which has happened.
"We needed to convince people we could build practical, commercial structures."

David Oliver is head of Greenway Architects and CEAC building consultancy. For contact details, see the Alternative Directory under Architects or Earth Builders or Ethical Building/Design Advisory Groups.
All Photos were taken from http://www.stabilisedearth.com.au/index.html website, an australian rammed earth building company created in 1986 by Ian and Tina Collect.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Arq_Terra_Brutalista, ecológica e moderna: A casa em Taipa_Schlins_Austria

É com uma sincera ponta de entusiasmo que publicamos um projecto que é para nós uma inspiração e uma agradável surpresa vinda directamente das paisagens de Schlins, na Austria, uma parceria feliz entre o escultor Martin Rauch e o arquitecto Roger Boltshauser.
Esta é mais uma prova de como a Terra é um material de construção com enorme potencial e modernidade, capaz de produzir peças arquitectónicas com qualidade e conforto, assim o engenho e arte do Homem colaborem. É uma obra com pormenores arrojados e uma expressividade que só este material pode conseguir.
A descoberta do texto que se segue foi italiana, pelo que aqui fica o agradecimento pela tradução à Sofia, a nossa especialista em Italiano e em Arquitectura de Terra de Inglaterra.
Molto Grazie !!




Detalhes do Projecto
Local: Schlins, Áustria Cliente: Lehm Ton Erde GmbH, Schlins
Designers: Roger Boltshauser, Martin Rauch
Equipa: Thomas Kamm (líder do projecto), Ariane Wilson, Andreas Skambas
Estruturas: Josef Tomaselli
Empresas: em autoconstrução Martin Rauch com a sua equipa
Polimento: Johannes Moll
Marcenaria: Manfred Bischof
Cerâmica: Marta-Devebec Rauch, Sebastian Rauch
Tempo de Projecto: 1 ano e meio
Calendário de execução: meados de 2005 - 2008 com interrupções durante o Inverno e segundo a disponibilidade
Superfície construída: 140 m²
Volume de terra argilosa: 120 m3
Fotos: Beat Bühler http://www.beatbuehler.ch/


Introdução
A casa em terra batida (terra battuta) projectada pelo arquitecto Roger Boltshauser e pelo escultor Martin Rauch para Schlins (Áustria) reinterpreta contemporaneamente uma técnica antiquíssima. As construções em terra prensada possuem ilustres antepassados, para citar apenas um exemplo, além da Muralha da China, na Europa encontramos um edifício de 1270 alemão que ainda abriga uma biblioteca de livros, alojada ali pelas características ideais de microclima da construção.
O método de trabalho, difundido por todo o mundo, é conhecido como taipa em Portugal, “terra cruda” em Itália, “pisé de terre” em França, ou “rammed earth” em países de língua anglo-saxónica. Esta é uma técnica que proporciona o mesmo desempenho estrutural de uma parede construída com tijolos, mas tem a vantagem de ser altamente ecológica, sustentável, duradoura, e não menos importante, com características estéticas de "materialidade" muito procuradas na Arquitectura contemporânea.
A experiência de Rauch
Schlins é também a sede da oficina do escultor Martin Rauch, que tem desenvolvido e testado o processo construtivo da “terra cruda” no decurso das duas últimas décadas. Para além de ter no seu currículo diversos edifícios de habitação, edifícios públicos e cemitérios, trabalhando em colaboração com outros arquitectos - como neste projecto desenvolvido com Boltshauser, Rauch é hoje muitas vezes chamado como consultor/especialista em projectos de cooperação em países em desenvolvimento que envolvem a construção de habitações com tecnologias de baixo custo.
Em África, como em algumas zonas da Índia, a escolha da "terra cruda" está muito associada a vantagens como a disponibilidade da matéria-prima, a utilização de mão-de-obra local que não tem acesso ao auxílio de máquinas (demasiado caro para a economia local) e, finalmente, a construção de ambientes climaticamente confortáveis.

A matéria-prima
Quando falamos da terra usada para a construção de paredes, em geral faz-se referência ao substrato do subsolo obtido cavando 30 centímetros abaixo do topo do solo rico em húmus e, portanto, passível de fenómenos de podridão. A composição ideal da terra a ser utilizada é feita de argila, silte (um sedimento arenoso muito fino com granulometria variando entre 1/16 e 1/256 mm) e areia grossa.
As diferentes proporções desses componentes, e particularmente a percentagem de argila, determinam um material mais ou menos adequado para estruturas portantes. Quando a terra tem muita argila, é aconselhado a adição de inertes, como areia, ou de fibras vegetais, como por exemplo a palha.
No projecto aqui descrito, a terra local de Schlins demonstrou ser apropriada para a construção em terra porque se trata de um composto de dolomite sedimentada e, portanto, perfeito para o uso na terra prensada.
Desempenho da casa em “terra cruda”
A técnica da taipa ou terra prensada tem diversas características que a classificam entre os trabalhos de construção eco-sustentável e na área da biotecnologia. Em primeiro lugar falamos sobre a capacidade do material regular o clima interior graças à sua inércia térmica: o calor absorvido durante o dia é distribuído pela parede/muro muito lentamente de modo a ser libertado no interior do espaço durante a noite. Um outro elemento é a capacidade de absorção acústica da terra, que, graças à sua massa, reduz aprox. 50 decibéis no volume de som com um muro de 50 centímetros de espessura.
A terra prensada, para além de tudo isto é maleável, não-tóxica, incombustível e reciclável; uma vez que a recuperação do material envolve baixo consumo de energia.

O espaço criado pela escavação
A casa unifamiliar de Schlins, onde Martin Rauch pretende viver, foi inteiramente construída utilizando a terra adquirida pela escavação das fundações. Esta é uma das principais características da terra prensada em favor da eco-sustentabilidade: o principal material de construção, na verdade, é obtido localmente, não necessita de nenhum meio de transporte para o fornecimento e é inteiramente reciclável (se for usado de modo puro e não misturado com outras substâncias, como o cimento). O único material adicionado à terra para solidificar as fundações foi uma cal hidráulica natural proveniente da região da Renânia.


Os moldes e pressionada a terra
Uma vez realizadas as escavações e construídas as fundações da casa, foram criados moldes de madeira para iniciar a estratificação das paredes portantes. Também os moldes são feitos em camadas. Construído o primeiro molde, com cerca de um metro de altura e 45 cm de largura, avançou-se com a prensagem mecânica da terra – através de compressores pneumáticos que esmagam a terra: de 4 centímetros obtêm-se uma camada compacta de terra com 1 centímetro. Nesse ponto, deve-se esperar algumas semanas para a secagem da primeira fiada. Só apenas uma vez seca, a terra atinge a resistência necessária para suportar as cargas e as vibrações das compactações seguintes. Para o êxito do trabalho são fundamentais tanto os factores climáticos locais, como a humidade, a chuva e o vento, assim como a orientação das paredes em relação à luz e à sombra. Após a primeira camada seca, pode-se retirar os moldes e utilizar os mesmos painéis de madeira para prosseguir a compressão da parte superior. Também este aspecto da técnica significa que existe uma grande economia de matéria-prima para a criação de moldes.

Pavimentos e lajes
A utilização da terra compactada para pavimentos é recomendada se for colocada directamente sobre o solo. Também na casa de Schlins os pavimentos dos pisos inferiores foram criados em terra compactada. Eles foram feitos através de camadas de granulagem diferentes, cada vez mais finas, sendo na última camada utilizado óleo de linhaça para torná-la mais elástica. Para completar, a resistência à abrasão e o efeito hidrófugo foi conseguido com um acabamento de cera de abelha. As lajes dos andares superiores e cobertura foram feitos com traves de madeira e vigas de aço, onde se apoiam os tijolos - cozidos no forno do laboratório de Rauch.

Composição dos muros e paredes
A estratificação das paredes exteriores foi exteriormente intervalada com Pianelle (tipo tijoleira), tijolos planos (também feitos em terra prensada), que têm a função principal de prevenir o deslizamento horizontal. Do ponto de vista estético, os Pianelle expressam e salientam o princípio de estratificação da terra em que se baseia a técnica.
Frequentemente, o escultor austríaco acrescenta materiais como pó de carvão ou barro, entre as camadas para criar finas listas coloridas. Internamente, porém, as paredes foram isoladas com uma câmara de ar de 10 cm constituída por canas, depois consolidadas com uma mistura de argila, dentro das quais passam as tubagens de aquecimento do ar.
O isolamento reduz o risco de condensação. As paredes foram então revestidas com um reboco de argila de três centímetros, e finalmente caiadas.
Quanto às cores, o escultor, no interior da habitação, tratou as superfícies alternando diversas tonalidades de branco, criando um jogo de nuances cromáticas "naturais".